D. Raúl Biord Castillo reza pelos mortos e feridos, falando num «fenómeno natural muito violento»

Lisboa, 25 jun 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Caracas, na Venezuela, já percorreu paróquias afetadas pelos sismos que atingiram o país na quarta-feira para avaliar a situação e assegurou que a Igreja já ativou o seu plano de emergência.
“Estamos a percorrer diversas igrejas e muitas sofreram danos estruturais”, explicou D. Raúl Biord Castillo, numa mensagem divulgadas nas redes sociais.
São José de Ñaraulí, São Bernardino de Siena, Pagüita foram alguns dos edifícios religiosos pelos quais o arcebispo passou.
“Aqui desabou o teto de uma das naves e há danos consideráveis nas outras também — em Pagüita, na catedral e em várias das nossas igrejas”, explicou.
D. Raúl Biord Castillo adianta que “algumas casas paroquiais estão completamente destruídas”.
“O mais importante neste momento é que, enquanto povo, nos sintamos unidos para ver como podemos assistir os desalojados, aqueles que perderam a sua casa”, sublinhou.
Dois sismos, de magnitude 7,5 e 7,2 na escala de Richter, com intervalo de apenas 39 segundos, foram registados na região central da Venezuela, causando pelo menos 32 mortos e mais de 700 feridos.
O arcebispo garantiu que “desde a última noite se estão a ativar redes de solidariedade”.
Em declarações à AIS Internacional, citadas pelo secretariado português, D. Raúl Biord Castillo informou que “muitas paróquias já acolheram pessoas para passar a noite nas suas instalações”.
“Já ativámos uma rede de solidariedade através da Cáritas paroquial. A partir de amanhã, serão realizadas inspeções para determinar quais os templos que podem ser reabertos. Que Deus nos ajude e nos conceda o consolo necessário para acompanhar o nosso povo nestes tempos difíceis”, adiantou.
Na mensagem partilhada nas redes sociais, D. Raúl Biord Castillo refere que se encontra em oração por todos aqueles que não resistiram e pelos que sofreram ferimentos.
“Estamos a rezar pelos mortos — que o Senhor, no eterno repouso, os acolha —, pelos feridos que estão a ser resgatados e por todas as pessoas que perderam entes queridos. Um fenómeno natural muito violento, este terramoto”, manifestou.
La Guaira foi uma das dioceses gravemente afetadas e, em comunicação com a AIS, o bispo deste território, D. Pablo Modesto González Pérez, deu conta que o seminário diocesano, apoiado anualmente pela fundação pontifícia, sofreu graves danos devido ao terramoto.
“Estamos sem eletricidade e todos fomos afetados. No seminário, muitas paredes ruíram. Agora estamos no parque de estacionamento do estádio desportivo, à espera que os bombeiros avaliem o edifício para sabermos o que vamos fazer”, indicou.
Ainda assim, D. Pablo Modesto González Pérez referiu que “não houve problemas graves com os sacerdotes, embora várias igrejas tenham sofrido danos significativos”.
“Dois edifícios em frente ao seminário ruíram. Acabámos de regressar de uma visita a Ciudad Chávez, onde a AIS apoiou a construção da igreja; há uma população de cerca de 20 mil pessoas, e a maioria dos blocos de habitação sofreu danos graves. Graças a Deus que não ruíram”, disse.
Apesar de ainda não terem sido registadas até ao momento vítimas entre padres, diáconos, seminaristas ou religiosas, o arcebispo de Caracas confirmou que houve mortes em diferentes locais devido ao desabamento de edifícios e muros.
“Graças a Deus era um dia de folga. Se tivesse sido um dia de semana, com escolas, escritórios e lojas abertas, o número de vítimas teria sido muito superior”, expressou.
D. Raúl Biord Castillo informa que “muitas paróquias já acolheram pessoas para passar a noite nas suas instalações”.
A Fundação AIS apela à oração pelo povo venezuelano após os sismos devastadores, mantendo-se em contacto permanente com a Igreja local, enquanto prossegue a avaliação dos danos e das necessidades mais urgentes.
O arcebispo Biord agradeceu à AIS Internacional pelo acompanhamento e pelas suas orações.
O diretor de projetos da fundação pontifícia, Marco Mencaglia, destaca a importância de manter proximidade com a igreja do país atingido pelos terramotos.
“A Venezuela tem sido um país prioritário para a nossa instituição há muitos anos. A prioridade agora é o povo. A Igreja está a fazer o que sempre fez em tempos de crise: abrir as suas portas, acompanhar aqueles que perderam tudo e levar esperança onde o medo se instalou. Pedimos a todos os nossos benfeitores e amigos que mantenham a Venezuela nas suas orações.”
O responsável menciona que ainda não são conhecidas as verdadeiras extensões dos danos, mas disponibilizou o apoio da AIS par ajudar quando for possível estabelecer contacto com população.
“À medida que as comunicações forem sendo restabelecidas e as inspeções técnicas avançarem, poderemos compreender melhor as necessidades da Igreja e das comunidades que ela serve. Pela parte da AIS, estamos empenhados em continuar a acompanhar a Igreja nestes tempos difíceis com a nossa ajuda e as nossas orações”, concluiu.
| O presidente da República português, António José Seguro, já reagiu à tragédia na Venezuela, manifestando “a sua profunda consternação perante o forte sismo que atingiu” o país e acompanhando, “com preocupação, os desenvolvimentos da situação”.
“Neste momento ainda de incerteza, dirige ao povo venezuelano, aos portugueses aí residentes e às autoridades da República da Venezuela uma mensagem de solidariedade e esperança”, pode ler-se na nota divulgada pela presidência da República. |
LJ/OC
