D. Rui Valério escreveu mensagem para o programa pastoral 2026-2027, cujo lema é «Vinde e Vede»
Lisboa, 24 jun 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa escreveu uma mensagem, divulgada hoje, para o programa pastoral 2026-2027, que tem como lema “Vinde e Vede”, na qual convida a criar espaços para fazer experiência de Deus e a redescobrir a dimensão missionária da Igreja.
“Hoje, talvez mais do que nunca, somos chamados a criar espaços onde seja possível fazer assim experiência de Deus. As nossas paróquias, comunidades, movimentos, grupos, famílias e obras eclesiais devem tornar-se lugares onde alguém possa encontrar um rosto acolhedor, uma palavra verdadeira, uma presença fraterna e, através disso, descobrir Cristo vivo”, pode ler-se.
Segundo o responsável católico, a “pastoral não pode reduzir-se a uma gestão de atividades”, enfatizando que “evangelizar é introduzir na relação com Jesus”, “é ajudar cada pessoa a sentir-se olhada, amada e chamada por Deus”.
O programa pastoral 2026-2027 vai inaugurar um novo ciclo na vida da Igreja de Lisboa, tratando-se de um percurso que quer conduzir toda a diocese rumo ao Jubileu da Redenção, que se celebra em 2033, memória viva dos dois mil anos da Páscoa de Cristo, centro da fé e fonte da esperança cristã.
O lema do Plano Pastoral – Eu sou o caminho, a verdade e a vida – ilumina todo este percurso de sere anos, com cada etapa a procurar aprofundar uma dimensão da vida cristã.
Na mensagem, o patriarca de Lisboa faz referência ao tema “Vinde e Vede”, destacando que “não se trata apenas de um lema bíblico ou de uma organização temática dos anos pastorais”, mas “de um verdadeiro itinerário espiritual, eclesial e missionário”.
Vivemos tempos marcados por rápidas mudanças culturais, sociais e espirituais. Muitas pessoas sentem-se desorientadas, cansadas, fragmentadas interiormente. Multiplicam-se os meios de comunicação, mas cresce a dificuldade de encontro verdadeiro; aumentam as possibilidades materiais, mas alarga-se a pobreza interior; fala-se muito de liberdade, mas tantas vezes falta um horizonte de sentido”, observou.
Neste sentido, D. Rui Valério lembra que “a Igreja é chamada não apenas a conservar estruturas ou repetir linguagens do passado, mas a reencontrar continuamente a centralidade de Cristo”.
“Só Ele é caminho para o coração humano. Só Ele revela plenamente o homem a si mesmo. Só Ele oferece aquela vida nova que nenhuma realidade do mundo pode substituir”, complementou.
O primeiro biénio (2026-2028) do itinerário centrar-se-á na primeira parte da palavra de Jesus: “Eu sou o caminho” e que o primeiro ano pastoral, que agora se inicia será dedicado aos (re)começos.
“Queremos olhar de forma particular para a iniciação cristã entendida no seu sentido mais amplo e profundo. Não apenas como preparação sacramental, mas como introdução progressiva na vida nova do Evangelho”, salientou o patriarca.
O responsável católico evidencia que “há muitos batizados que nunca chegaram verdadeiramente a encontrar-se com Cristo”, “há outros que se afastaram, perderam referências ou vivem uma fé fragilizada”, havendo também “tantos homens e mulheres que continuam a procurar, talvez sem o saber, uma luz para as suas vidas”.
“Por isso, este será um ano de convite, de acolhimento e de proximidade. Um ano para ajudar cada pessoa a descobrir novamente a beleza da fé cristã. Um ano para abrir caminhos de encontro com Deus”, assinalou.
O texto alude à importância de “redescobrir a dimensão missionária da Igreja”, com D. Rui Valério a destacar que não se pode esperar “passivamente que as pessoas venham”.
“Precisamos de comunidades abertas, capazes de acolher perguntas, fragilidades e buscas. Precisamos de uma pastoral que saiba escutar, acompanhar e integrar. Precisamos de cristãos que não tenham medo de testemunhar a beleza da fé no meio do mundo”, defendeu.
O patriarca de Lisboa escreve que “talvez uma das grandes pobrezas contemporâneas seja precisamente a falta de esperança”, apontando que “muitas pessoas vivem sem horizonte, sem referências, sem uma razão profunda para caminhar”.
“Este ano pastoral será também um apelo a redescobrir a beleza dos começos. Deus é sempre Deus de recomeços”, indicou, lembrando que o Evangelho recorda que “nunca é tarde para voltar a Cristo” e “para começar de novo”.
“A Igreja deve ser sempre casa aberta para estes recomeços. Não lugar de condenação, mas espaço de misericórdia. Não fortaleza fechada, mas tenda aberta onde cada pessoa possa encontrar acolhimento e verdade”, sublinhou D. Rui Valério.
O segundo ano do primeiro biénio do vai focar-se no alimento da fé, centrando-se particularmente na Eucaristia, onde todos são “convidados a compreender que não há caminho cristão sem permanência em Cristo”.
“Queridos diocesanos, o Senhor continua hoje a passar pelas margens da nossa vida e a repetir-nos: ‘Vinde e vede’. Não tenhamos medo de responder. Não tenhamos medo de abrir o coração a Deus. Não tenhamos medo de recomeçar”, apelou.
No final da mensagem, D. Rui Valério pede “às comunidades cristãs do Patriarcado de Lisboa que acolham este ano pastoral como oportunidade de renovação espiritual e missionária”.
“Que ninguém fique à margem. Que cada paróquia se torne lugar de encontro, cada família escola de fé, cada cristão testemunha de esperança”, expressou.
A segunda etapa do Plano Pastoral, vai ter o primeiro ano (2028-2029) dedicado à formação da consciência cristã, ao anúncio da verdade do Evangelho e ao testemunho no mundo e o segundo (2029-2030) ao tempo de discernimento, leitura dos sinais e renovação missionária das comunidades.
Na terceira etapa, o primeiro ano (2030-2031) foca-se na centralidade da dignidade humana, da caridade e da promoção da vida plena em Cristo, o segundo (2031-2032) assenta na renovação espiritual, reconciliação e esperança cristã e o terceiro (2031-2033) será uma etapa conclusiva do caminho pastoral rumo ao Jubileu da Redenção, marcada pela alegria pascal e pelo envio missionário.
LJ/OC
