Angra: Diocese celebra Dia Nacional da Liberdade Religiosa, e recorda que «diálogo e dignidade humana são «dimensões fundamentais da missão evangelizadora»
Coordenador da Comissão para o Ecumenismo e Diálogo Interreligioso afirma que «a liberdade humana deve prevalecer sobre qualquer interesse ou ideologia”, e propõe uma prece para a oração dos fiéis deste domingo
Angra do Heroísmo, Açores, 20 jun 2026 (Ecclesia) – A Diocese de Angra assinalar, “pela primeira vez de forma institucional”, o Dia Nacional da Liberdade Religiosa e do Diálogo Interreligioso, que se celebra esta segunda-feira, 22 de junho, e propôs as comunidades uma reflexão e uma prece.
“Através de um gesto simples de oração, a Igreja pretende recordar que a liberdade religiosa, o diálogo e a dignidade humana constituem dimensões fundamentais da sua missão evangelizadora”, explicou o coordenador da Comissão para o Ecumenismo e Diálogo Interreligioso do Instituto Católico Diocesano de Cultura, citado pelo portal online ‘Igreja Açores’ da Diocese de Angra.
Francisco Almeida Medeiros acrescenta que, neste contexto, se sublinha que “uma Igreja fiel ao Evangelho é chamada não apenas a anunciá-lo”, mas também a colocá-lo ao serviço das pessoas e da sociedade.
A Comissão para o Ecumenismo e Diálogo Inter Religioso da Diocese de Angra propôs às comunidades cristãs uma reflexão, sobre ‘A dignidade da pessoa humana e a liberdade do ato de fé’, em sintonia com o programa pastoral diocesano ‘Cristão, que dizes de ti mesmo?’, neste Dia Nacional da Liberdade Religiosa e do Diálogo Interreligioso, que se comemora a 22 de junho, na próxima segunda-feira.
O organismo do Instituto Católico de Cultura da diocese açoriana lembra que a liberdade religiosa “é um direito humano fundamental, constitucionalmente protegido”, mas também uma realidade profundamente enraizada no Evangelho.
“Protege não apenas a liberdade de acreditar, mas também a liberdade de celebrar, ensinar, servir, comunicar, criar cultura e contribuir para o bem comum”, indica ainda.
Francisco Almeida Medeiros acrescenta que a liberdade religiosa, quando compreendida, “surge como uma ponte entre a dignidade de cada pessoa e a missão da Igreja no mundo”, e realça que se trata de “um valor que ultrapassa fronteiras confessionais e que reafirma o direito de cada indivíduo a procurar, acolher e viver a verdade em liberdade”.
A comissão diocesana sugeriu que este Dia Nacional da Liberdade Religiosa e do Diálogo Interreligioso 2026 seja celebrado nas celebrações do XII Domingo do Tempo Comum, a 21 de junho, através de uma intenção na Oração Universal.
“Pela liberdade religiosa e pelo diálogo inter-religioso, para que a dignidade de cada pessoa seja reconhecida, a consciência respeitada e o ato de fé vivido como resposta livre ao amor de Deus, em espírito de encontro, serviço e paz.”

O coordenador da Comissão para o Ecumenismo e Diálogo Interreligioso do Instituto Católico Diocesano de Cultura de Angra também observou que “num tempo marcado pela instrumentalização da religião em contextos de guerra, violência, tensão social e afirmação de poder”, a celebração assume particular relevância, afirmando que a religião se “afasta da sua verdade mais profunda” sempre que é utilizada para justificar interesses ou divisões.
“A fé autêntica não nasce para erguer muros, mas para abrir caminhos de encontro, reconciliação e esperança. Por isso, esta data constitui também um convite a recentrar a atenção no essencial: a liberdade humana deve prevalecer sobre qualquer interesse ou ideologia”, conclui Francisco Almeida Medeiros, lê-se no sítio online ‘Igreja Açores’, da Diocese de Angra.
Desde 2019, Portugal assinala o Dia Nacional da Liberdade Religiosa e do Diálogo Inter-religioso no dia 22 de junho, uma decisão da Assembleia de República, que remete para a data da publicação da Lei de Liberdade Religiosa, em 2001.
CB
| A ideia de criar um Dia Nacional da Liberdade Religiosa e do Diálogo Inter-Religioso foi apresentada, pela primeira vez, no II Congresso do Diálogo Inter-Religioso “Cuidar do Outro”, realizado no dia 3 de outubro de 2018, na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa.
As instituições promotoras destacam que o princípio da separação e da aconfessionalidade do Estado, vai continuar a ser “um importante garante da liberdade religiosa”, precisando que “a separação, neste sentido, não implica oposição, nem exclui a cooperação com as comunidades religiosas, essencial para a plena concretização da liberdade religiosa”. O Projeto de Resolução 2193/XIII sublinha que, com este dia, se pretende “assinalar a importância fundamental destes valores e destas práticas e contribuir para uma consciência mais viva de toda a sociedade sobre o lugar central que esses valores e essas práticas ocupam na sociedade democrática e tolerante”. |

