Braga: Congresso Nacional das Misericórdias encerrou a apontar prioridades para o futuro da ação social e da saúde

Último dia do encontro assinalou também o aniversário dos 50 anos da fundação da estrutura nacional

Foto: União das Misericórdias Portuguesas

Braga, 06 jun 2026 (Ecclesia) – A União das Misericórdias Portuguesas (UMP) encerrou hoje o 15º Congresso Nacional, no Fórum Braga, celebrando os 50 anos e apontando as prioridades para o futuro da ação social e da saúde.

“O último dia dos trabalhos ficou marcado pela reflexão sobre o património cultural das Misericórdias, entendido como um elemento essencial de identidade e de continuidade, e pela celebração do 50.º aniversário da UMP, assinalando meio século de percurso ao serviço das Misericórdias e das comunidades”, pode ler-se na nota enviada à Agência ECCLESIA.

Entre as principais conclusões do congresso, que teve como tema “A atualidade de uma evolução segura”, está “a necessidade de uma resposta estruturada ao envelhecimento, reforçando a articulação entre os serviços públicos da saúde e da segurança social, atendendo ao impacto crescente desta realidade nas Misericórdias”.

Ainda no âmbito das respostas sociais, o congresso indicou urgência em “reformular e alargar o apoio domiciliário, garantindo soluções 24h00 por dia, 7 dias por semana permitindo aos idosos permanecer nas suas casas com segurança e dignidade” e a “implementação de programas de reabilitação dos lares existentes e expansão da rede”.

Foi também realçada a “prioridade à conclusão da rede de creches e à clarificação da resposta no pré-escolar, bem como ao reforço das políticas de apoio à deficiência”.

No campo das respostas de saúde, o encontro indicou como caminho a “afirmação das Misericórdias como parceiros indispensáveis do sistema de saúde, garantindo resposta de proximidade, humanizada e integrada”, e a “valorização da complementaridade” com o SNS, “nomeadamente na redução de listas de espera e melhoria do acesso a consultas, cirurgias e meios de diagnóstico”.

As UMP mencionaram ainda como prioridades o “reforço da Rede Nacional de Cuidados Continuados e desenvolvimento da Rede Nacional de Saúde Mental, face ao aumento das necessidades associadas ao envelhecimento e às doenças crónicas”, e a “necessidade urgente de resolver o problema das altas hospitalares, com a criação de respostas de retaguarda adequadas e sem burocracias”.

Já no quadro do património, concluiu-se que se deve privilegiar o “reconhecimento do património das Misericórdias como expressão identitária e testemunho do seu percurso histórico de solidariedade” e a “necessidade de garantir acesso a financiamento e a programas comunitários que permitam a sua preservação e valorização”.

Por último, o congresso enfatizou a necessidade de valorizar o “património enquanto ativo económico, nomeadamente no contexto do turismo, contribuindo para o desenvolvimento das comunidades”.

Foto: União das Misericórdias Portuguesas

O terceiro e último dia do encontro incluiu também a homenagem ao provedor da Santa Casa da Misericórdia de Macau, António José Freitas, distinguido como Grande Benemérito da UMP – Grau Ouro.

O reconhecimento deve-se ao apoio concedido às Misericórdias portuguesas em momentos críticos, nomeadamente nos incêndios de Pedrógão, na resposta à pandemia de COVID-19 e na sequência da tempestade na zona Centro, que totalizou cerca de 300 mil euros para apoio à recuperação de equipamentos em 17 instituições.

No final do 15.º Congresso Nacional das Misericórdias, que se iniciou na quinta-feira, foram ainda condecorados vários provedores que se destacaram pelo seu empenho e dedicação à comunidade.

A iniciativa reuniu dirigentes, especialistas, decisores políticos e representantes das Santas Casas de todo o país para refletirem sobre os desafios e oportunidades do setor social em Portugal.

A União das Misericórdias Portuguesas (UMP) é uma associação de âmbito nacional, criada em 1976 para orientar, coordenar, dinamizar e representar as Misericórdias, defendendo os seus interesses e organizando atividades de interesse comum.

LJ

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