Leão XIV assinalou que «educar significa acompanhar os jovens na descoberta» de saberem também «porquê viver»

Cidade do Vaticano, 30 mai 2026 (Ecclesia) – O Papa afirmou que “se a tecnologia conecta, a educação forma”, aos participantes do encontro dos Estados Ibero-Americanos e da Santa Sé ‘Mapas da Esperança para uma Agenda Educativa Regional: Saúde Mental, Tecnologias Digitais e Educação’, no Vaticano.
“Educar significa acompanhar os jovens na descoberta não só de como viver, mas também do porquê viver. Nesta missão educativa, as instituições públicas, as escolas, as universidades, as famílias, as comunidades religiosas, o mundo da cultura e o mundo da comunicação são chamados a trabalhar em conjunto. Ninguém consegue enfrentar desafios tão profundos e complexos sozinhos”, disse Leão XIV, na manhã deste sábado, 30 de maio, no discurso enviado à Agência ECCLESIA.
O Papa destacou que “se a tecnologia liga, a educação molda”, aos participantes do Encontro OEI-Santa Sé, uma iniciativa nascida do “desejo comum de construir juntos autênticos ‘mapas da esperança’”, organizado pelo Dicastério para a Cultura e a Educação (Santa Sé), pela Comissão Pontifícia para a América Latina, e pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, Ciência e Cultura (OEI).
‘Mapas da Esperança para uma Agenda Educativa Regional: Saúde Mental, Tecnologias Digitais e Educação’, é o tema do encontro, de dois dias que termina hoje, e Leão XIV afirmou que é um diálogo dedicado “a um dos desafios mais urgentes e decisivos” deste tempo: “a relação entre educação, saúde mental e tecnologias digitais”.
Segundo o Papa, a educação é chamada a redescobrir-se “não como a construção de individualismos isolados, nem como uma simples transmissão de competências, mas como a arte de tecer comunhão”.
Leão XIV recordou que na Carta Apostólica ‘Desenhar novos mapas de esperança’ (outubro 2025) convidou todos a “construir uma constelação educativa global”, cada instituição, cada cultura e cada povo possa oferecer o seu contributo singular para iluminar o caminho da humanidade, indicando que a consciência “deste grande património cultural” pode ajudar a “enfrentar uma das maiores formas de pobreza da nossa época: a perda da bússola interior”.
“Muitos jovens possuem ferramentas tecnológicas cada vez mais sofisticadas, mas lutam para encontrar um sentido para a vida, esperança, amor e até mesmo sofrimento. Por detrás de tantas dificuldades, solidão e vulnerabilidades psicológicas, reside muitas vezes uma pergunta silenciosa: ‘A minha vida tem algum sentido? Existe alguma esperança fiável para o futuro?’”, desenvolveu, na audiência no Palácio Apostólico do Vaticano.
O Papa realçou que muitos jovens vivem “sob o jugo das expectativas e do desempenho”, imersos numa competitividade exacerbada que “gera ansiedade, medo de não estar à altura e desorientação”, por isso, a questão da saúde mental não pode ser abordada “apenas como uma questão clínica ou técnica”, onde os contributos “são indispensáveis”, mas “os seres humanos podem viver autenticamente dentro de um horizonte de significado”.
“Quando este horizonte se obscurece, o vazio interior, o isolamento e o desespero aumentam. Quando, por outro lado, uma pessoa descobre que a sua vida tem valor, que é amada, esperada e chamada a cumprir uma missão no mundo, nasce então a esperança. E a esperança não é uma ilusão ingénua: é uma força espiritual que sustenta a vida, mesmo nos momentos mais difíceis”, indicou, incentivando a serem “luz para muitas pessoas”, nesta era de transição digital.
Leão XIV explicou que cultivar a vida interior, que acrescentou aos objetivos do Pacto Global para a Educação, significa “ajudar as novas gerações a redescobrir” o silêncio, a reflexão, a capacidade de questionar, a profundidade das relações e a abertura à transcendência, porque para escutar a alma “é necessário aguçar a audição, pois a sua voz não é um grito, mas um sussurro”.
Aos participantes do Encontro OEI-Santa Sé – Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, Ciência e Cultura, e Dicastério para a Cultura e a Educação do Vaticano -, Leão XVI assinalou que precisam de “visões capazes de construir novas sínteses culturais”, que tenham a coragem de unir o pensamento e a vida, “a contemplação e a ação, o cuidado com os pobres e a procura de sentido”, salvaguardando, ao mesmo tempo, o património profundamente humano da educação.
CB


