D. Arturo González Amador denuncia fome, apagões e colapso do sistema de saúde na ilha caribenha
Lisboa, 27 mai 2026 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal Cubana alertou hoje para a crise humanitária e social que afeta a ilha, descrevendo o cenário atual como o período mais dramático da memória nacional.
“Tudo é uma luta pela sobrevivência”, resumiu D. Arturo González Amador, numa entrevista à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).
O bispo de Santa Clara revelou que as paróquias lidam diariamente com episódios de desespero extremo, incluindo desmaios de fiéis durante as celebrações devido à falta prolongada de alimentação.
O colapso das infraestruturas reflete-se com gravidade no setor da saúde, onde a ausência de água canalizada e de materiais básicos obriga à suspensão de cirurgias essenciais.
“Conheço mais do que um caso em que uma pessoa teve de procurar junto de familiares ou amigos no estrangeiro todos os recursos para poder ser operada, incluindo o fio de sutura”, lamentou o prelado.
A par da escassez material, as comunidades enfrentam quadros generalizados de depressão e uma vulnerabilidade psicológica agravada por rumores persistentes de instabilidade geopolítica.
“O medo da guerra é tremendo; faz parte da preocupação quotidiana de muitas pessoas”, observou.
Este ambiente de precariedade tem provocado um êxodo maciço da população ativa, deixando para trás um país envelhecido e dependente de pensões manifestamente insuficientes.

A criminalidade crescente e a interrupção do fornecimento elétrico, que se limita a três horas diárias em várias regiões, forçaram também a alteração das dinâmicas religiosas.
“Praticamente, já não existe adoração noturna”, assinalou D. Arturo González Amador, recordando que a Vigília Pascal teve de ser antecipada para o período diurno por razões de segurança.
Apesar das severas limitações operacionais, as estruturas católicas mantêm o funcionamento de cantinas sociais e a distribuição de refeições adaptadas às parcas disponibilidades de cada dia.
“O dia em que uma freira ou um padre morrer de fome ou por falta de um medicamento é o dia em que já não restará ninguém vivo, porque todos partilham o pouco que têm”, destacou o presidente da Conferência Episcopal Cubana.
A ação pastoral no terreno encontra-se fortemente condicionada pela inflação e pela falta de combustível, impedindo a deslocação do clero às zonas rurais e limitando a presença institucional, como sucedeu recentemente no funeral do bispo emérito D. Enrique Serpa Pérez, que contou com apenas quatro prelados.
O presidente do episcopado cubano concluiu a intervenção com um apelo aos benfeitores internacionais, pedindo orações e auxílio financeiro para sustentar a evangelização e as obras de caridade num país onde a Igreja sofre com o seu povo.
OC
