Padre Manuel José Marques afirma que «vale a pena apostar nesta disciplina», uma »formação humana, cívica, para a vida»

Évora, 14 mai 2026 (Ecclesia) – A Arquidiocese de Évora vai realizar o encontro de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), disciplina que tem seis mil alunos do Ensino Básico ao Secundário nesta diocese, das 09h00 às 17h00, hoje, em Coruche.
“O encontro é uma festa, é o resultado do trabalho feito ao longo do ano”, disse o coordenador diocesano do Ensino da Igreja nas Escolas, o padre Manuel José Marques, na informação enviada à Agência ECCLESIA, pelo suplemento digital ‘Ser Igreja Évora’, do jornal arquidiocesano ‘a defesa’.
A 34.ª edição do Encontro da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica da Arquidiocese de Évora é dedicado à paz, com o tema ‘Moral Pax’, os alunos e os professores estão mobilizados na preparação de atividades que cruzam expressão artística, reflexão e convívio.
A disciplina de EMRC tem seis mil alunos do Ensino Básico ao Secundário, no território da Arquidiocese de Évora, e este encontro diocesano reúne cerca de três mil alunos, a organização destaca que juntava de quatro mil a quatro mil e quinhentos participantes antes da pandemia do coronavírus Covid-19.
O padre Manuel José Marques destaca que “seis mil alunos é muita gente”, e afirma que “vale a pena apostar nesta disciplina” que proporciona “uma formação humana, cívica, para a vida”.
“Há pais que não têm interesse na religião e, mesmo assim, deixam os filhos inscrever-se porque percebem que isto faz bem”, observou o diretor do Departamento de Ensino da Igreja nas Escolas.
O sacerdote que alertou para a dificuldade crescente em promover relações humanas autênticas, porque as novas tecnologias e as redes sociais alteraram a forma como os jovens se relacionam, e são um desafio que se reflete também na sala de aula.
“Os instrumentos são mais subtis. Um telemóvel pode ser uma ‘arma’ que isola; sem relação não é possível, é no contacto com o outro que se aprende a medir palavras, gestos e atitudes”, explicou.
Às vezes, pensamos que não querem saber da fé, mas há jovens que levam isto muito a sério”, realçou.

A lei prevê a oferta obrigatória da disciplina curricular de Educação Moral e Religiosa Católica do Ensino Básico ao Secundário, e cursos profissionais, mas de frequência facultativa por parte dos alunos, a Arquidiocese de Évora acrescenta que frequentemente ocupa horários “nas primeiras ou últimas horas do dia”.
Numa análise “realista” à situação de EMRC, o padre Manuel José Marques lamenta que têm “algumas escolas onde não há Educação Moral e Religiosa Católica, porque não há professores”, e alerta que “um ou dois anos sem docente e depois já ninguém se inscreve”.
O diretor do Departamento de Ensino da Igreja nas Escolas da Arquidiocese de Évora referiu-se também ao envelhecimento demográfico, que tem consequências no número de alunos, “há cada vez menos jovens”.
A Concordata assinada em 2004 entre Portugal e a Santa Sé consagra a existência da disciplina de EMRC, sendo os professores propostos pelos bispos, nomeados pelo Estado e pagos pela tutela.
CB/OC
