Porto: Festival do Luto convida a falar da perda sem tabus

Porto, 11 mai 2026 (Ecclesia) – A Associação «Compassio» propõe uma “nova forma” de viver e acompanhar a dor da perda, quebrando o silêncio e criando redes de apoio.

Neste contexto promove, dia 16 de maio, no Porto, a segunda edição do Festival do Luto, um evento “pioneiro na cidade que pretende transformar” a forma como se vive e acompanha as perdas – “sejam elas de pessoas, relações, trabalhos, saúde ou sonhos”, refere uma nota enviada à Agência ECCLESIA

Num tempo marcado por uma “profunda iliteracia emocional”, o Festival do Luto surge como “uma chamada à ação e um ponto de partida para uma mudança cultural necessária: falar sobre a perda e o luto de uma forma aberta, sem embaraço, oferecer presença e escuta e criar redes de apoio entre a comunidade”.

Promovido pela Associação Compassio – entidade sem fins lucrativos que, desde 2019, se dedica a tornar o Porto uma cidade mais compassiva -, o festival tem entrada livre e oferece uma programação diversificada para crianças, jovens e adultos, que se estende por cinco espaços da zona do Marquês – o Jardim do Marquês, a Fundação Marques da Silva, Centro de Cultura do Politécnico do Porto, Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti e a Paróquia da Senhora da Conceição.

“O Festival do Luto é um evento aberto a todas as pessoas da comunidade, independentemente das suas crenças religiosas ou vivências pessoais. A nossa proposta é criar um espaço seguro e acolhedor para aqueles que enfrentam perdas significativas e onde seja possível olhar para o luto de forma ampla – não apenas como resposta à morte de alguém querido, mas também à perda de um animal de estimação, de um relacionamento, de um emprego, da saúde, ou de um projeto de vida”, explica Mariana Abranches Pinto, presidente da Compassio.

Como o mote “Estou mortinho por ir” a Compassio convida todos a participarem e ao longo do dia, o festival propõe conversas, espaços e momentos de expressão artística e ações de sensibilização que convidam à partilha e à escuta, sem julgamentos, frases feitas ou verdades absolutas.

As várias atividades pretendem quebrar o tabu que envolve a morte e a perda, desmistificar a forma como se lida com a dor e abrir espaço para que cada pessoa possa explorar o luto de forma mais consciente e transformadora – não apenas como ausência, mas também como expressão de amor, memória e possibilidade de renovação.

Com esta iniciativa, a Compassio pretende contribuir para devolver à cidade uma “cultura de proximidade e reforçar a sua missão de recolocar a compaixão no centro das relações humanas, especialmente junto de pessoas mais vulneráveis, em situação de doença, envelhecimento, solidão ou luto”.

LFS

A COMPASSIO

Fundada no Porto em 2019, a Compassio é uma associação sem fins lucrativos que tem como missão (re)colocar a compaixão no centro das relações humanas e das comunidades, e que desenvolve o seu trabalho com foco nas pessoas em situação de fragilidade relacionada com a doença, o envelhecimento, a solidão, o isolamento social, a morte e o luto.
Em toda a sua atividade assume e promove a ética do cuidar como um compromisso fundamental da sociedade.
As três principais áreas de atuação são a sensibilização e capacitação para uma cultura compassiva; a ativação e dinamização de redes comunitárias colaborativas; e a dinamização de grupos de partilha para pessoas em processo de luto e com vivência de doença.

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