Igreja/Portugal: «Escuta, pertença e diálogo», palavras que se destacam do Quadro de Referência da Pastoral Juvenil, aponta Margarida Ribeiro

Pedro Carvalho realça que existem «propostas muito interessantes», que vão desafiar todos os jovens, e «vão rever-se, porque foram escutados»

Lisboa, 04 mai 2026 (Ecclesia) – O Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ), da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), lançou o Quadro de Referência para este setor em Portugal, que nasce da “escuta dos jovens”, com “propostas muito interessantes”, mas que não é “uma receita para o país”.

“Há três palavras que são muito mencionadas neste caminho, que é a escuta, a pertença e o diálogo. E acho que é precisamente a partir destas três palavras que nós, enquanto diocese, devemos partir para fazer um caminho em comunhão”, disse Margarida Ribeiro, de Portalegre-Castelo Branco, esta segunda-feira, em entrevistada à Agência ECCLESIA.

A jovem do Secretariado Diocesano da Pastoral da Juventude e das Vocações de Portalegre-Castelo Branco acredita que seguindo as etapas do Quadro de Referência para a Pastoral Juvenil, da Igreja Católica em Portugal, “é um caminho seguro” para conseguirem “andar para a frente”, numa diocese que “é vasta, mas com tão poucos jovens, ou muito dispersos”, a unirem-se “para que esta caminhada com Deus seja profícua”.

Já Rodrigo Francisco, da Arquidiocese de Évora, explica que neste território também muito vasto trabalham a “formação” para levar a Igreja junto dos jovens, “formando os líderes dos grupos”, para que eles possam ter mais capacidade de “lidar com os problemas dos jovens que possam ter nas paróquias ”.

“Os jovens hoje em dia têm problemas bastante complexos, desde a saúde mental, de imigração, a nível profissional, variadíssimos problemas que a comunicação social tem vindo também a apontar. E nós queremos formar-nos e formar os líderes dos grupos de jovens para que eles possam trabalhar, e estar mais atentos aos jovens, como a Margarida dizia, neste processo também de escuta, de fazê-los ser pertença, e dialogar com eles da melhor forma”, desenvolveu.

O Departamento Nacional da Pastoral Juvenil da CEP reuniu “cerca de 200 jovens” das várias dioceses do país, para apresentar o novo documento, no encontro ‘Porto de Partida’, este sábado, dia 2 de maio, na Alfândega do Porto.

O diretor do DNPJ explicou que com este Quadro de Referência para a Pastoral Juvenil há um continuar de um caminho em Portugal, e no Porto convidaram “os jovens a olharem e a lançar as redes, a olhar para o futuro”, a partir deste documento que é um “desafio” que vai ajudar no futuro “a poder partilhar e ter referências para os projetos”, nos secretariados diocesanos, ou nas paróquias, “onde podem ler e tirar referências”.

“Este documento é também um caminho. Um caminho de escuta, e de um processo que fizemos com todo o país na ‘Escuta 360, juntos a escutar o futuro’. Escutámos os jovens, refletimos com eles, e discernimos, e depois, a partir do documento inicial, todos os inputs dos jovens, mais de três mil respostas, conseguimos perceber as intuições e estão aqui”, desenvolveu Pedro Carvalho, no Programa ECCLESIA, desta segunda-feira, na RTP2.

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Este trabalho começou em novembro de 2024, e terminou na Assembleia Plenária da CEP, em abril, com os bispos a aprovarem “por unanimidade” um documento que não querem “que sejam receitas”, mas pistas para cada um realizar o seu projeto de pastoral juvenil, porque “as realidades eclesiais diocesanas são completamente diferentes”, e “não fazia sentido uma receita para o país”.

Margarida Ribeiro, da Pastoral Juvenil de Portalegre-Castelo Branco, destaca que as realidades das dioceses católica em Portugal “são diferentes, mas a realidade dos jovens não é”, e são “vítimas de uma época na vida muito complexa, com muitas questões”, e, uma delas é, sobre o seu lugar de pertença.

“E isso traz-nos muita fragilidade, estas inseguranças, estas incertezas, este mundo nas redes sociais que é tão tóxico para a nossa geração; nas várias etapas há sempre alguma coisa em comum, que é esta insegurança do caminho pela frente, esta ansiedade de o que é que vem, de o que é que virá para mim, de o que é que é a minha vocação neste mundo”, explicou.

Rodrigo Francisco considera que o compromisso “depende sempre da pessoa”, que “deve procurar o seu lugar”, onde realmente sente que “Deus chama para fazer caminho, para ser discípulo, para ser missionário”, por isso, devem dar a conhecer “toda a oferta” que existem de carismas, porque querem que “os jovens sintam essa pertença e que caminhem onde se sentem bem”.

O diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil destacou que escolheram para capa do quadro de referência uma fotografia da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023, onde o Papa Francisco “lançava o desafio de ‘todos, todos, todos’”.

CITAÇÃO “Temos um milhão e seiscentos mil jovens no país, e queremos que esse um milhão, com todos, conheçam este Jesus Cristo para sermos mais cristãos, vivermos melhor no nosso dia-a-dia, enquanto cristãos. E temos esta cultura do encontro como falava o Papa Francisco e este desafio diário de conhecermos Jesus Cristo e estar com ele”, realçou Pedro Carvalho.

HM/CB/OC

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