Dia da Mãe: «Eu escolhi Portugal por eles», afirma Lorena dos Anjos, que imigrou há sete anos com os dois filhos e aqui deu à luz José

Família contou com o apoio do Centro Padre Alves Correia durante dois anos e meio, ganhou autonomia e assume-se feliz na nova morada

Foto: Agência ECCLESIA/LJ, Lorena dos Anjos

Lisboa, 02 mai 2026 (Ecclesia) – Lorena dos Anjos deixou o Brasil há sete anos, com os dois filhos, Leonardo e Lucas, depois passar por uma depressão e pelo fim do casamento, escolhendo Portugal para viver, a pensar nos filhos, tendo em conta a língua, cultura e ensino.

“Eu escolhi Portugal por eles, para que eles viessem ter uma oportunidade de educação melhor. Tanto que, quando vim, eu vim sem um grande propósito, sem um grande objetivo para mim, sem um trabalho fixo ou algo. Eu vim mesmo por eles e aqui eu fui conseguir me desenvolver ao longo desses anos”, afirmou a mãe, de 40 anos, em declarações à Agência ECCLESIA.

Em solo português, Lorena tinha uma amiga, com uma filha, que afirmou que o país tinha um “ambiente seguro” para as crianças, sendo essa a chave para tomar a decisão de partir do Brasil.

A família estava há dois anos em Portugal, quando conheceu o Centro Padre Alves Correia, instituição sem fins lucrativos, sob a responsabilidade da Província Portuguesa da Congregação do Espírito Santo, cuja missão é apoiar a pessoa imigrante em situação de vulnerabilidade na construção de um projeto de vida digna e feliz.

“O CEPAC entrou com um super auxílio nessa parte de documentação, tanto para mim quanto para os meus filhos. Hoje, todos nós estamos documentados e organizados nessa área. Bem como a parte do apoio social, o apoio alimentar, que na altura nós precisávamos muito”, indicou.

Durante dois anos e meio, Lorena e os filhos foram apoiados pela instituição, construindo com as assistentes sociais que a acompanharam uma relação de confiança, considerando-as hoje “amigas”.

Lorena e os filhos Leonardo, Lucas e José

A mãe de Leonardo e Lucas construiu um novo relacionamento em Portugal, voltando a repetir a experiência da maternidade.

“A minha vontade de ser mãe nunca tinha acabado, porque é realmente muito bom. E quanto mais a gente vai ficando madura, a gente percebe que podia ter feito diferente assim, podia ter feito diferente aqui e ali, me dedicado mais. E eu creio que Deus me deu essa oportunidade mais uma vez de ser mãe”, contou.

Leonardo, de 19 anos, Lucas, de 17, e José, de três, nasceram em diferentes fases de vida de Lorena, que hoje se considera mais madura.

“Eles são muito unidos. Para mim é um prazer imenso ser mãe novamente, já com outra cabeça, com outra consciência. Acho que nos dois primeiros filhos eu ainda estava muito crua e levei muito das minhas dores para essa maternidade”, referiu.

Foi também em Portugal que o filho mais velho de Lorena recebeu o diagnóstico tardio de autismo.

Eu tenho aprendido a ser mãe de uma criança autista, eu tenho aprendido que o acolhimento vale mais do que às vezes uma crítica, que muitas vezes o silêncio tem um valor maior do que as palavras. Então ser mãe de forma madura, que é hoje o que o José tem me proporcionado, me trouxe a reflexão para alterar toda a dinâmica da minha família.

Entre os desafios de morar num novo país esteve a procura de emprego; Lorena trabalhou num café, em serviços de limpeza, até que criou o próprio negócio, a venda de bolos.

“A partir de casa, mesmo com José pequeno, eu consegui empreender. De forma que o José foi crescendo, tem um ano que ele passou a ir para a escolinha e aí eu pude estar mais presente, dedicando um pouquinho mais para a empresa”, contou.

Ana Mansoa, diretora-executiva do CEPAC, destaca que as mães são a maioria da população que a instituição acompanha, destacando que existem “muitas histórias de superação”, seja por criação de negócio próprio ou por reconstrução de projetos de vida.

“Aquilo que nós tentamos trabalhar com elas é primeiro devolver-lhes esta esperança e ajudá-las a perceber que há quem acredite nelas e que têm valor por aquilo que são e por aquilo que trazem, pela sua bagagem. E ajudamo-las depois neste encontrar, dentro do mercado português, oportunidades ou na sua área ou que se aproximem da sua área”, explica.

Nós costumamos dizer que as nossas mulheres que acompanhamos são baobás, são como as baobás, o embondeiro do principezinho, porque conseguem se reinventar em momentos de tempestade, em momentos de desespero e de desesperança. Conseguem sempre encontrar força e resiliência e é por isso que nós cá estamos”, acrescentou a responsável.

Lorena dos Anjos assume que não tem intenção de voltar a morar no Brasil.

“Do mesmo jeito que foi Deus que nos trouxe, somente se Ele disser vai. Fora isso, nós somos muito felizes aqui e muito gratos a Portugal, tudo que Portugal tem feito por nós, a maneira que fomos acolhidos”, expressou.

Foto: Agência ECCLESIA/LJ, Dinilzia Carvalho

Também para Dinilzia Carvalho, de 41 anos, o CEPAC representa um grande apoio, depois de ter chegado a Portugal em 2018, com dois filhos, Carlos e Lúcia, e de ter sido mãe novamente de mais dois rapazes, António e Tiago.

A instituição apoiou esta família na regularização de documentos, no apoio alimentar e distribuição de roupa.

Em Portugal, o Dia da Mãe assinala-se no primeiro domingo de maio, este ano no dia 3.

Para Dinilzia Carvalho, ser mãe é preciso ter coragem e amor.

Lorena dos Anjos defende que “às vezes os filhos não precisam de uma mãe perfeita”, porque todas têm os seus altos e baixos, mas “precisam de uma mãe inteira, que saiba tanto corrigir como acolher”.

O programa 70×7 que é transmitido hoje, na RTP2, apresenta testemunhos de mães estrangeiras em Portugal e o papel de associações como o Banco do Bebé e o Centro Padre Alves Correia, ficando depois disponível nas redes sociais da Agência ECCLESIA.

LJ/OC

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