Igreja : «A paz não começa em tratados, começa no coração», afirma Patriarca de Lisboa em Lourdes

D. Rui Valério presidiu à 77.ª Peregrinação Monfortina ao santuário daquela região francesa

Lourdes, França, 22 abr 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa deixou esta manhã um apelo à paz mundial, na Missa a que presidiu esta manhã na Basílica de São Pio X, no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, em França.

“A paz não começa em tratados, a paz começa no coração”, disse D. Rui Valério, apresentando Maria como a Mãe dos corações novos” e pedindo que a divisão dê lugar à “reconciliação”, informou o patriarcado de Lisboa.

O responsável católico preside à 77.ª Peregrinação Monfortina ao Santuário de Lourdes, congregação à qual pertence, que decorre esta semana, entre os dias 19 e 25 de abril, com o tema ‘Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo’.

Provenientes de vários lugares do mundo, os peregrinos participaram na Eucaristia Internacional, na qual o patriarca apelou à “disponibilidade” e à construção de uma “missão de paz”.

Na homilia que proferiu em língua francesa, o patriarca destacou a figura de Maria como Aquela que, mesmo sem compreender os planos de Deus, escolhe confiar.

D. Rui Valério assinalou que a Virgem ensina a Igreja a ouvir e a estar “livremente disponível” para a vontade divina.

Com referências ao panorama internacional, marcado pela guerra e sofrimento, o patriarca lembrou que Deus não abandona e caminha com todos.

Na conclusão da homilia, D. Rui Valério exortou os peregrinos a transportarem a experiência de Lourdes para a vida quotidiana.

Para o patriarca, a “disponibilidade de Maria” deve ser o modelo para cada fiel ao regressar a casa, aos seus países e às suas realidades sociais.

“Viemos também para sermos enviados, para construir a paz”, disse.

No dia anterior, terça-feira, D. Rui Valério celebrou a Eucaristia na Gruta das Aparições, naquele santuário, realçando a singularidade espiritual daquele lugar.

“Não estamos apenas num espaço geográfico, mas num lugar onde o Céu tocou a terra”, ressaltou, lembrando a experiência de Santa Bernadette e a presença de Maria como sinal de proximidade de Deus à humanidade.

O patriarca de Lisboa enfatizou a mensagem central daquele local, indicando que a Mãe de Jesus não vem para falar, vem para acompanhar, escolhendo a fragilidade e aproximando-se “sempre do que é mais ferido, mais frágil, mais esquecido”.

“Lourdes é isto: um lugar onde ninguém sofre sozinho”, assegurou.

Evocando São Luís Maria Grignion de Montfort, fundador da congregação a que pertence, D. Rui Valério sublinhou que “Maria é o caminho mais seguro para Jesus”, convidando os peregrinos a uma entrega mais plena.

“Mergulhem mais fundo em Lourdes. Não deixem que a emoção vos impeça, não deixem que a curiosidade vos detenha; entrem no mistério”, encorajou.

Na Missa de abertura da 77.ª Peregrinação Monfortina ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, na tarde desta segunda-feira, o patriarca de Lisboa realçou a natureza deste momento como um “tempo de graça”.

Na Basílica de São Pio X, D. Rui Valério sobre a condição humana e o sentido de estar naquele lugar, mencionando que os peregrinos trazem consigo o peso das suas vidas, mas recordou que ali a perspetiva sobre a dor se transforma.

“O peso não é apenas o lugar do sofrimento, é o lugar onde o sofrimento é tocado pela graça, e isso acontece quando o corpo se abre ao Espírito”, expressou, salientando que, perante a “violência incompreensível” do mundo, o crente é chamado a “não perder a paz”.

O Patriarca de Lisboa concluiu a primeira celebração em Lourdes com um apelo à reconciliação e à caridade concreta, exortando os peregrinos a deixarem que o “grande milagre” de Lourdes aconteça no interior de cada um.

LJ/OC

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