Bispo de Santarém presidiu à Missa no recinto de Oração do Santuário, destacando ação caritativa da Sociedade de São Vicente de Paulo

Lisboa, 20 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo de Santarém condenou a guerra e a banalização da vida na Missa a que presidiu este domingo, no recinto de oração do Santuário de Fátima, na conclusão da Peregrinação Nacional Vicentina à Cova da Iria.
“O mundo está instável, com conflitos e guerras, dando lugar à banalização do valor da vida humana e promovendo a morte e o sofrimento de milhares de pessoas inocentes. A guerra não dignifica a pessoa humana, destrói pessoas e bens, é sempre uma derrota para a humanidade e contradiz o sentido da civilização”, afirmou D. José Traquina.
Na homilia da Eucaristia no III Domingo da Páscoa, disponibilizada pelo Santuário de Fátima, o presidente da celebração aludiu ao Evangelho, que relata a aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos de Emaús.
“Acreditar na ressurreição, acreditar em Jesus ressuscitado, muda a vida. Surgiu a fé e a esperança. Voltaram a Jerusalém à procura dos companheiros. A alegria da fé está na certeza de que Cristo ressuscitou. Aquele que por nós morreu na cruz, depois de ressuscitado, confirmou os seus discípulos na missão que lhes confiara”, referiu.
D. José Traquina desafiou ainda os peregrinos a viver o ardor do Espírito Santo, presente no coração dos discípulos de Emaús.
“É o fogo do amor que Jesus ressuscitado concedeu e concede aos seus discípulos do passado e do presente. É a fonte da alegria porque o Senhor ressuscitado mantém o mandato do envio, apesar das dificuldades a que estão sujeitos”, destacou.
A Sociedade de São Vicente de Paulo realizou este fim de semana a peregrinação nacional ao Santuário de Fátima, onde D. José Traquina lembrou o santo como um “bom pastor”, “dedicado aos mais pobres da sociedade” e “cuidador da boa formação dos padres”.
Existem em Portugal cerca de 6.350 irmãos vicentinos e vicentinas que, organizados por 637 grupos, designados por conferências de São Vicente de Paulo, em paróquias das 20 dioceses portuguesas, prestam apoio a famílias e pessoas individuais em situação de dificuldade, assinalou D. José Traquina.
O bispo de Santarém destacou alguns números da ação caritativa deste movimento católico, indicando que apoiou mais de 50.500 famílias e mais de 3.000 pessoas individuais.
“A cultura do individualismo e da indiferença não favorecem a sensibilidade pelo cuidado dos mais pobres. Por isso, é necessário valorizar quem descobriu a alegria do Evangelho na atenção a quem carece de apoio”, ressaltou.
O presidente da celebração defendeu a importância de haver na sociedade “pessoas que se “preocupam” com o outro e “que, de forma organizada e discreta, promovem a partilha de bens”.
“O cuidado pelos nossos semelhantes mais pobres, seja qual for a idade ou a nacionalidade, é um testemunho da Páscoa da ressurreição do Senhor e uma forma de colaboração na construção da paz. É isso que o mundo mais necessita nesta altura”, ressaltou.
No final da homilia, D. José Traquina exortou a promover os sinais e a alegria da Páscoa, bem como a presença do ressuscitado.
“Vamos cuidar do bom relacionamento entre nós, construir a paz a partir de casa, no bom relacionamento, na capacidade de perdoar. Vamos construir a paz no relacionamento no espaço de trabalho onde estivermos”, pediu.
“Construir a paz passa por pequenas coisas, logo a partir do nosso coração, reconhecendo o amor que Deus nos tem e que nos perdoa e que nos quer como Seus discípulos e discípulos nesta construção”, acrescentou.
O bispo de Santarém apelou também à transformação interior, inspirada no tempo pascal.
“Parece que até a própria natureza nos ajuda a reconhecer que a Páscoa acontece para a renovação. Se a própria natureza se renova em si mesma para dar melhores e bons frutos, nós, celebrando a Páscoa, somos também chamados a acolher a força e a graça de Deus, Pascal, para darmos os frutos que Deus quer”, declarou.
A celebração registou a participação de grupos de peregrinos provenientes de diversas paróquias do território nacional e também do estrangeiro, concretamente quatro de Espanha, três da Itália, três da Polónia, um de França e outro da Irlanda.
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