Algarve: Bispo afirmou que «o amor cristão não pode reduzir-se a um sentimento, traduz-se em gestos»

D. Manuel Quintas assinalou que não se pode «comungar o corpo de Cristo e ignorar o corpo do irmão»

Faro, 03 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo do Algarve afirmou que “Jesus vira o mundo do avesso”, ao realizar o gesto do lava-pés “toma nas mãos os pés cansados”, e indicou que “a mesa da Eucaristia prolonga-se na mesa da vida”, na Sé.

“Não é uma questão de se deixar lavar os pés. É, isso sim, uma questão de se deixar amar, de se deixar perdoar, de se decidir a seguir Jesus, sem condições, de se decidir a partilhar a sua vida e a sua missão. É, em síntese, comprometer-se a realizar aquele mesmo gesto com os irmãos”, disse D. Manuel Quintas, na homilia da Missa da Ceia do Senhor, esta Quinta-feira, Santa, citado pelo jornal ‘Folha do Domingo’.

O bispo do Algarve, na Sé de Faro, alertou que não se pode “comungar o corpo de Cristo e ignorar o corpo do irmão”, porque “a mesa da Eucaristia prolonga-se na mesa da vida”.

“Jesus vira o mundo do avesso. Aquele que tudo criou, toma nas mãos os nossos pés cansados, feridos, talvez até endurecidos pelo caminho… e lava-os. E nós? Deixamo-nos lavar os pés, ou resistimos como Pedro? Talvez nos sintamos mais cómodos aos acreditarmos num Deus distante, do qual escondemos os nossos pés doridos, calejados, um Deus que não conheça nem cuide das nossas feridas.”

D. Manuel Quintas, que lavou os pés a 12 homens, repetindo o “gesto profundamente eucarístico” que Jesus realizou “mesmo sem palavras”, pediu que cada um refletisse, “nesta noite de Quinta-Feira Santa”, sobre «quem precisa que lhe lave os pés? Em casa? No trabalho? Na comunidade?”

“Lavar os pés significa acolher, cuidar, amar, integrar”, indicou o bispo diocesano, acrescentando que “Jesus não dá explicações, simplesmente se dá a todos incondicionalmente”.

“É como se estivesse a partir o pão e a dizer «Isto é o meu corpo, tomai e comei». Ele não fica à margem da nossa vida; entra na nossa vida, faz-se nosso alimento”, acrescentou.

Segundo o bispo diocesano, o mandamento do amor deixado por Jesus “não se trata de um simples conselho agradável aos ouvidos, atraente”, mas é “um mandamento exigente pelo seu termo de comparação”.

“Amai-vos como eu vos amei. Amar-nos uns aos outros pode até ser simples. Como Jesus nos amou, aí está a diferença e a dificuldade. «Como Eu vos amei» significa até ao fim, sem condições, até mesmo quando dói, até quando não há retorno; o amor cristão não pode reduzir-se a um sentimento confortável, traduz-se em gestos concretos”, desenvolveu.

A Missa da Ceia do Senhor faz memória da instituição da Eucaristia e do sacerdócio, e D. Manuel Quintas afirmou que o estavam a celebrar “não pode ser reduzido à memória do passado”, “é encontro vivo com um amor que se ajoelha, que se faz servo”.

O bispo do Algarve pediu que se reze por eles e por todos os cristãos porque todos são “chamados a viver este «sacerdócio» do amor, oferecendo a própria vida”.

““Esta noite lança-nos a todos uma pergunta simples e simultaneamente desconcertante: se Jesus fez isto por mim, o que estou eu disposto a fazer pelos outros? Não deixemos esta pergunta sem resposta”, pediu, lê-se no jornal ‘Folha do Domingo’ da Diocese do Algarve.

CB

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