Lisboa: «Ir à Missa não é fugir do mundo», afirma D. Rui Valério

Patriarca diz que é necessário «redescobrir o fascínio da Eucaristia»

Foto Duarte de Mourão Nunes/Patriarcado de Lisboa, Missa da Ceia do Senhor

Lisboa, 02 abr 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa afirmou hoje na homilia da Missa da Ceia do Senhor que é necessário “redescobrir o fascínio da Eucaristia”, uma “ato de amor” que “resgata da superficialidade”.

“Em cada Missa, renova-se aquele ato de amor que nos resgata da superficialidade do mundo e nos mergulha na profundidade da eternidade. Ir à Missa não é fugir do mundo, nem alienar-se da realidade. Pelo contrário: é levar o mundo consigo, para o oferecer a Deus”, disse D. Rui Valério.

O patriarca de Lisboa presidiu esta tarde à Missa da Ceia do Senhor, na Sé Patriarcal, lembrando que, na participação na Eucaristia, cada um não está “sozinho”.

“Quando vais à Eucaristia, não vais sozinho. Levas contigo o mundo inteiro: as suas dores, as suas alegrias, as suas feridas, as suas esperanças. E, unido a Cristo, apresentas tudo ao Pai”, afirmou.

“A Missa é o lugar onde o mundo respira. Onde reencontra o sopro da vida verdadeira. Onde aprende, ainda que sem o saber, o ar da Ressurreição.

Por isso, se amas o mundo, não te afastes da Eucaristia. Leva-o contigo. Oferece-o. Deixa que seja transfigurado no amor de Deus, pois como o Sol dá vida ao mundo, a Eucaristia dá vida à alma”.

O patriarca de Lisboa lembrou que a Eucaristia faz memória da entrega de Jesus e apelou à “lucidez e coragem” para tomar conhecimento de que “poupar-se, hesitar na entrega, fechar-se no egoísmo, são gestos profundamente anti-eucarísticos”.

“A Eucaristia é a celebração do dom total. É o «despojamento santo» de Deus por nós e o convite a que também nós nos tornemos dom. Ela abre-nos um caminho: o caminho de uma vida entregue. Ela dá-nos uma certeza: em Cristo, o nosso fim não é o término: é o verdadeiro princípio”, afirmou.

D. Rui Valério afirmou que, com a instituição da Eucaristia, Cristo não deixa “apenas um rito, nem apenas uma memória”, antes entrega o “seu próprio ‘Passar’”, o “mistério da sua Páscoa tornado Sacramento”.

“A Eucaristia não apenas recorda essa passagem: ela é o seu acontecer, aqui e agora”, sublinhou.

Foto Duarte de Mourão Nunes/Patriarcado de Lisboa, Missa da Ceia do Senhor

“Participar na Fração do Pão não é, portanto, repetir gestos sagrados de forma mecânica. É entrar em comunhão real com Cristo. É unir-se a Ele no seu próprio movimento: passar deste mundo para o Pai”.

O patriarca de Lisboa afirmou que “a Eucaristia não é apenas presença: é incorporação. Não é apenas proximidade: é comunhão. Não é apenas sinal: é participação real na vida divina”.

A Missa vespertina da Ceia do Senhor assinala o início do Tríduo Pascal, com um caráter festivo, evocando a instituição da Eucaristia e do sacerdócio e o “mandamento do amor”, simbolizado no gesto do lava-pés.

Durante o canto do hino do “Glória” tocam-se os sinos pela última vez, que ficam silenciosos até ao “Glória” da Vigília Pascal, na noite de sábado para domingo.

PR

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