Guarda: Bispo apresenta Cruz de Jesus como «sabedoria do amor louco de Deus pela humanidade»

D. José Pereira concluiu este domingo o ciclo de catequeses quaresmais na Igreja da Santíssima Trindade, na Covilhã

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

Covilhã, 30 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo da Guarda refletiu este domingo, na última catequese quaresmal, na Covilhã, sobre a cruz de Jesus, fazendo uma análise de como ela é vista, sublinhando que representa o amor de Deus por todos.

“A cruz de Cristo é escândalo ou poder? É loucura ou sabedoria? Podemos responder deste modo: é a sabedoria do amor louco de Deus pela humanidade, porque ultrapassa todos os limites razoáveis e continua a amar; é o poder do amor escandaloso de Deus pela humanidade, porque vence a morte dando a vida, por amor a quem O rejeita e mata”, afirmou D. José Pereira.

Ao longo da Quaresma, o bispo diocesano promoveu um itinerário espiritual e pastoral através de um conjunto de Catequeses Quaresmais, que culminou na igreja Santíssima Trindade (Covilhã).

Na intervenção enviada à Agência ECCLESIA, o bispo diocesano referiu que “a cruz de Jesus é a vitória do amor sobre a rejeição e a morte” e “é o sinal maior do amor incondicional de Deus e da comunicação da sua alegria”.

“Nem a tribulação, nem a angústia, nem a perseguição, nem a fome, nem a indigência, nem a guerra, nem a morte, nem o futuro, nem os poderes deste mundo, nem os do mundo sobrenatural, nada, nada, nada nos pode vencer e separar do amor de Deus que se manifestou na cruz de Jesus, nosso Senhor”, sublinhou.

O bispo da Guarda alertou que “quando algumas recentes expressões artísticas preferem apresentar a cruz sem o Crucificado, ou o Ressuscitado sem qualquer sinal da cruz”, procurando aliviar o que, no entender de muitos, “é uma forma pesada e mórbida de propor a vida cristã”, “correm o sério risco de a esvaziar”.

“Crucifixão e ressurreição são duas dimensões inseparáveis da mesma realidade da Páscoa. A cruz sem Cristo é suplício; Cristo sem cruz é fantasia”, defendeu.

D. José Pereira lembra que “as mais antigas e significativas representações do Ressuscitado não aliviavam a força” do símbolo em causa: “aparecia na mão (normalmente a esquerda) do Vivo que se erguia da morte (por vezes na de um dos Anjos, ou sob os pés de Jesus); as marcas dos cravos surgiam visíveis nas mãos, pés e lado; e o túmulo era também muito comum”.

A cruz é a manifestação da Glória de Jesus: na hora em que todos se retirariam ou fugiriam, Jesus permanece e vence”, indicou.

“Na hora em que nós sucumbiríamos em angústia e solidão, Jesus reúne-nos em Si, grita a nossa angústia ecoando a sua confiança inabalável no Pai ao rezar o salmo na cruz: «meu Deus, meu Deus porque Me abandonaste?”, lembrou.

A sétima sessão do ciclo de catequeses quaresmais centrou-se também na celebração semanal da cruz e ressurreição de Jesus, ao domingo, que, para os cristãos, “não é facultativa”.

“Pelo contrário, ela é mesmo determinante para a construção da comunidade cristã”, assinalou.

Segundo D. José Pereira, “sem celebração do domingo não há comunidade cristã paroquial, e sem assembleia dominical paroquial não há vivência do domingo”.

“Poderá algum imprevisto impedir-nos de participar na assembleia eucarística dominical: então procuraremos meios para marcar, de algum modo, o domingo: a meditação mais cuidada da Palavra de Deus nesse dia, a visita ao sacrário nalguma hora desse dia, algum serviço à Igreja nesse dia, algum gesto mais atento de cuidado ao próximo nesse dia, alguma decisão para marcar a vivência da semana a partir desse dia”, salientou.

O bispo da Guarda mencionou que ainda que se “vá à missa durante a semana, isso não alimenta a necessidade do domingo” e que “ainda que haja missa dominical na terra quinzenal ou mensalmente, isso não alimenta a necessidade semanal de celebrar o domingo na comunidade cristã”.

Por isso, onde não houver eucaristia dominical, deverá haver assembleia dominical de louvor, ação de graças, súplicas e escuta orante da Palavra de Deus”, referiu.

D. José Pereira exortou a olhar “com determinação para esta realidade”, admitindo que se pode “correr o risco de querer manter eucaristias dominicais que já não são capazes de reunir uma assembleia, construir uma comunidade, formar um corpo com membros de diferentes gerações, constituir uma casa que acolhe, enviar discípulos em missão”.

“Estas pessoas e lugares precisam de não ser abandonados e continuar a ter assistência espiritual e presença do pároco, que os visite com regularidade durante a semana. E de outros agentes pastorais que animem a celebração do domingo. Sobretudo os mais frágeis que já não se conseguem deslocar”, vincou.

LJ/OC

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