Realidade de bairros degradados nos arredores de Lisboa juntou Paquete de Oliveira, Manuel Alegre, Rosa Reis, Henrique Cayatte e muitos outros para a obra “Do outro lado da linha” Mesmo na situações de maior dificuldade e pobreza há lições de alegria e de vida para o resto da sociedade. Foi o que quis demonstrar o Centro Social do Bairro 6 de Maio, que esta semana publicou o livro “Do outro lado da Linha”, para mostrar o que de bom existe em bairros como o 6 de Maio, as Fontainhas e Estrela d’África, em Lisboa. “O livro retrata a situação das pessoas, mas também mostra o seu rosto, as festas, o seu trabalho, as crianças na rua”, descreve à Agência ECCLESIA a Ir. Mafalda Moniz, das Irmãs Missionárias Dominicanas do Rosário, directora do Centro Social. A Ir. Mafalda Moniz reconhece que a opinião pública só tem presentes as “realidades negativas” destes bairros, como são a “toxicodependência, o tráfico ou o roubo”. “Ninguém se preocupa com os problemas verdadeiros das pessoas que cá estão, na habitação ou na saúde, mas com os problemas que elas possam provocar: há clara xenofobia das comunidades envolventes”, aponta. A obra agora publicada tem como objectivo mostrar factores positivos, assinalando apertos sociais, económicos, culturais e uma breve resenha histórica. A directora do Centro Social do Bairro 6 de Maio atribui o mérito da iniciativa à juíza Dina Monteiro, que envolveu historiadores, fotógrafos e escritores neste projecto, muito bem recebido pela comunidade local. “Aqui há uma falta de auto-estima muito elevada, pelo que as pessoas precisam de estímulos para potenciarem o que têm de bom e aprenderem a lutar pelos seus direitos. Como isso faz parte do nosso trabalho somos sempre bem recebidos”, constata. “Do outro lado da Linha” tem a participação de personalidades conhecidas de diversas áreas da cultura, como Paquete de Oliveira, Manuel Alegre, Rosa Reis ou Henrique Cayatte. Está disponível na editorial DN, livraria Barata e – espera o centro social – nas grandes superfícies comerciais. O livro custa 25 Euros e o montante recolhido servirá para criar uma rede de bolsas de estudos para os jovens e à criação de um fundo de resposta a situações de emergência na área da saúde.
