Entre-os-Rios: Missa presidida pelo bispo do Porto evocou as 59 vítimas da queda da ponte

“As pessoas que pereceram não são um simples número, mas seres de história e família que jamais os esquecerão”, afirmou D. Manuel Linda na homilia

Foto Lusa

Porto, 05 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo do Porto presidiu a uma Missa nos 25 anos da queda da ponte de Entre-os-Rios, que começou com a memória das 59 vítimas, convocando “vivos e defuntos para uma comunhão de vida que nem a morte consegue separar”.

“As pessoas que pereceram não são um simples número, mas seres de história e família que jamais os esquecerão”, afirmou D. Manuel Linda na homilia da Missa, esta quarta-feira.

O bispo do Porto referia-se à “muito sugestiva” figura do Anjo que a Associação dos Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios, que foi colocada no topo do pontão da antiga ponte Hintze Ribeiro, que testemunha também que “não obstante a dor da perda, a esperança cristã não morre, que a morte não tem a última palavra”.

No dia em que se assinalaram 25 anos da queda da ponte de Entre-os-Rios, a Câmara Municipal de Castelo de Paiva homenageou as vítimas e às suas famílias  com uma sessão no Saão Nobre dos Paços do Concelho, com a presença do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, a que se seguiu a inauguração de um Memorial e a Missa, presidida pelo bispo do Porto.

Não se trata de uma mera recordação ou memória dos que partiram. É antes a afirmação de que eles permanecem vivos, embora num outro género de existência, e deles não nos desapegamos nem nos desprenderemos”.

O bispo do Porto lembrou as vítimas falecidas e as memórias de “namorados que deixaram de idealizar; de jovens casais que, na aurora do sonho, morreram de mãos dadas; de velhinhos que, na passagem para a eternidade, nem sequer se conseguiram despedir dos seus filhos e netos; de crianças que não mais puderam fazer os jogos de que gostavam; de mães que só libertaram os bebés dos seus braços quando a morte entrou nelas com a água e esta expulsou a vida”.

No meio de um “pensamento angustiante”, D. Manuel Linda disse que, mais do perguntar “onde estava Deus naquele dia” ou dirigir palavras hostis aos responsáveis diretos ou indiretos do acontecido, “o mais prudente é o silêncio contemplativo”.

“Quando faltam as palavras, deve permanecer apenas o silêncio. E este coloca no nosso interior a resposta a essas questões. E garante-nos: Deus estava lá a sofrer com as vítimas; a tomá-las pela mão para as conduzir ao seu reino; a assumir a suprema amargura dos seus familiares e amigos, pois dor compartida é dor diminuída; a dar ânimo às forças de busca e socorro; a gerar uma onda de solidariedade assinalável; mesmo a aproximar pessoas que antes estavam desavindas”, afirmou.

D. Manuel Linda sublinhou que Deus “continua a dar esperança e ânimo aos familiares e amigos das vítimas”, que sustenta cada pessoa “no meio do mal”.

O rio que, há vinte e cinco anos, foi ‘vale tenebroso’, é metáfora de uma vida que nunca para, mas que nos conduz ao grande mar do horizonte de Deus, lá onde todas as coisas e acontecimentos adquirem um sentido belo e definitivo; a ponte, que naquele dia não interligou margens e não deixou chegar a sua casa tantas pessoas que para ela se dirigiam, hoje é símbolo do vínculo entre a morada terrena e a eterna, entre o passado e o futuro, entre a dor e a esperança, entre o tempo e a eternidade”.

“​Caros amigos de Castelo de Paiva e todos os que fazem sua a dor de rememorar esta tragédia, estamos aqui precisamente para vos garantir que Deus e todos nós estamos convosco. Que a solidariedade comunitária, tão presente naquela ocasião, continua a ser ponto de honra para todos nós. Que rezamos para que Deus conceda o descanso eterno às vítimas e o dom da consolação, da esperança e da paz a cada um dos vivos”, concluiu o bispo do Porto na homilia da Missa que evocou as vítimas da queda da ponte de Entre-os-Rios.

PR

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