Igreja/Ensino: Dicastério do Vaticano apresenta exemplos de «desenvolvimento humano integral» na Universidade Católica Portuguesa

Português Mário Almeida explica que «há menos pessoas no mundo a viverem em pobreza extrema», mas as desigualdades «não diminuíram, aumentaram»

Foto Agência ECCLESIA/CB, Mário Almeida e Elaine da Silva, Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral

Lisboa, 27 fev 2026 (Ecclesia) – O Dicastério do Vaticano para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral está a participar na conferência final do programa de Pós‑Doutoramento neste setor da Universidade Católica Portuguesa (UCP), e apresentou hoje “três exemplos” a partir do terreno em África.

“Uma reflexão sobre como é que o dicastério trabalha, como é que o dicastério pensa o que é o desenvolvimento integral do ser humano e, como é que procura ajudar as Igrejas locais também a responder aos desafios que estão incluídos, digamos, nesse chapéu grande do desenvolvimento integral do ser humano”, disse Mário Almeida, do organismo da Santa em declarações à Agência ECCLESIA.

Foto Agência ECCLESIA/PR, Mário da Silva, Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral

O entrevistado, da coordenação para a África – Secção de Estudo e Diálogo – do Dicastério do Vaticano para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, apresentou três exemplos de “desenvolvimento a partir do terreno”, na manhã desta sexta-feira, dia 27 de fevereiro, na UCP, em Lisboa.

“Um da área das migrações, da rota migratória da costa atlântica da África Ocidental, aquela rota que leva os migrantes até as Ilhas Canárias. Um exemplo da área da saúde, da pastoral com pessoas com deficiência em África, e um terceiro exemplo, mais na área de questões de justiça e paz e de Direitos Humanos, que tem a ver com a exploração de recursos naturais em África”, explicou o responsável português, que conta com a presença de Elaine da Silva da área da saúde no organismo da Santa Sé.

A Universidade Católica Portuguesa (UCP) está a realizar a conferência final do programa de Pós‑Doutoramento em Desenvolvimento Humano Integral (DHI), que termina hoje, com várias iniciativas desde dia 24 de fevereiro; quatro dias de “reflexão, partilha e criação de conhecimento”, com investigadores, profissionais, organizações da sociedade civil e membros da comunidade académica.

Segundo Mário Almeida, o Dicastério  para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral “vê com muito agrado” este programa na UCP, e sentem-se “honrados” porque a universidade portuguesa tem estado “sempre em diálogo”, os investigadores do pós-doutoramento costumam apresenta os vários projetos nos vários organismos do Vaticano.

“Este diálogo é muito importante também para nós que estamos em Roma, na sede, com o terreno, mas também com as instituições académicas, porque o diálogo nestas várias vertentes é muito fecundo e muito importante; para nós as parcerias com as instituições académicas são muito importantes, porque, de alguma maneira, somos uma estrutura que ajuda o Papa e que ajuda as Igrejas locais a responder aos desafios na economia e trabalho, migrações, saúde, ecologia e todas as questões de justiça, paz, segurança, direitos humanos, emergências humanitárias”, desenvolveu.

O português da equipa de coordenação para África da Secção Escuta e Diálogo explica que “surgem muitas questões novas” das bases, das Igrejas locais, que precisam de serem aprofundadas mesmo do ponto de vista académico, e não têm “a capacidade em Roma, na equipa, de ter especialistas que respondam a todas as questões novas”, como na área das migrações, “há anos não se falava dos deslocados pela crise climática”, ou da inteligência artificial, “um tema candente dos últimos tempos”.

Mário Almeida explica que o desenvolvimento integral do ser humano “se faz concretamente na vida das pessoas e dos grupos sociais e das sociedades”, através de muitas atividades em várias áreas – na economia, no trabalho, na saúde, na ecologia e no cuidado da Casa Comum, também no cuidado da ecologia humana, nas migrações, nas questões de justiça e paz – por isso, “é importante pensar todas essas questões de um modo aprofundado, e de um modo mais académico”.

CB/PR

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