Chefe nacional assinala crescimento do projeto que envolve jovens universitários e capacidade de adaptação das «semanas missionárias» decorrente do impacto das tempestades Kristin e Leonardo

Lisboa, 18 fev 2026 (Ecclesia) – Maria Belo Braga disse que a Missão País é “uma grande experiência de Igreja” entre pessoas diferentes na sua “relação com Deus” e assinala que nas cinco missões que viveu “a solidão” é o que mais a impacta.
“Acho que o que mais me impacta na Missão é perceber que há tanta gente sozinha. E perceber que não é preciso ir para longe do sítio onde moramos para encontrar pessoas sozinhas também. E acho que este também é um dos grandes objetivos da Missão País: por muito que isto seja uma semana disruptiva da nossa rotina, que não é assim tão difícil fazer alguma coisa na nossa realidade”, conta à Agência ECCLESIA.
Maria Belo Braga é chefe nacional da Missão País 2026 e concretizou recentemente a sua quinta missão, realizada nos Açores, na ilha de São Miguel.
Pelo 23º ano, a Missão País leva, na pausa de semestre, estudantes universitários a uma experiência de missão durante uma semana, realizada em localidades do interior de Portugal, desafiando os jovens a contactar com a população e a estar ao serviço das necessidades da comunidade.
“A Missão País é mesmo uma grande experiência da Igreja. Estar aberta a todas as pessoas que têm formas diferentes de pensar, se relacionam com Deus de forma diversa, trabalham, rezam mas partilham este grande projeto”, sublinha.
A edição que termina no final de fevereiro, que teve como lema «A paz seja convoco», mobilizou 4300 estudantes, de 60 faculdades, e abriu 75 missões em todo o território nacional.
“Há uma sede muito grande por parte dos homens. Uma sede muito grande por servir, por chegar ao outro, por dar o seu tempo, por se aproximar de Deus. E acho que a Missão País dá a resposta a tudo isto, em dimensões externas de serviço, comunitária com os missionários e pessoal, no conhecimento e relação com Deus”, indica.
A responsável nacional dá conta de um ano “mesmo muito bom” para a Missão País e destaca a capacidade de adaptação dos missionários que nesta altura responderam às consequências das tempestades Kristin e Leonardo.

“Tivemos missões a reinventarem-se num dia, a ter de procurar alternativas para o local de dormida e a gerir expetativas dos missionários. Com uma geração de jovens que é obcecada pelo controle, é importante ter a capacidade de dar um passo atrás e perceber hoje o que é precioso fazer e onde estar, e aí descobrir como ser construtor de paz. Foi um ano diferente de missão, mas foi o ano necessário”, regista.
Maria Belo Braga regista o aumento das solicitações para abrir missões, em universidades e em localidades do país: “É uma alegria ter cada vez mais pessoas que dizem ‘eu não sei o que é que é a Missão País, eu nunca fiz mas eu gostaria de abrir missão na minha faculdade, porque eu acho que a minha faculdade está a precisar disto”.
A responsável assinala a importância de dar continuidade ao projeto finda a semana missionária e assinala a “conversão” dos jovens em termos sociais, humanos e espirituais dos participantes.
“Por muito que uma semana seja espetacular, é pouco sim com tudo o que pode ser: com o potencial que o projeto tem de inspirar gerações, de criar compromisso e vontade de servir o outro. Acho que (se cria) uma mentalidade de como é que eu posso servir o outro nas minhas circunstâncias. Acho que há histórias de pessoas que se deixam mesmo maravilhar pela experiência de missão e que se perguntam depois sobre o que haverá mais. Acho que há um testemunho que reconhecem nos outros – que são iguais a eles – que geram perguntas. Há uma frase que gosto muito que diz – Sê testemunho e se necessário, usa palavras. Acho que acontece isso”, constata.
A conversa com Maria Belo Braga, que cresceu entre o Movimento de Schoenstatt e a Associação Guias de Portugal, pode ser acompanhada esta noite no programa ECCLESIA, emitido na Antena 1 pouco depois da meia-noite, e disponibilizado no podcast «Alarga a tua tenda».
LS
