Quaresma: Bispo das Forças Armadas e de Segurança propõe «caminho de conversão à verdade»

D. Sérgio Dinis destina renúncia quaresmal para «as vítimas do mau tempo» no centro de Portugal

Foto Ordinariato Castrense

Lisboa, 18 fev 2026 (Ecclesia) – O bispo do Ordinariato Castrense de Portugal propõe que a Quaresma seja “um caminho de busca da verdade” a “todos” nas Forças Armadas e Forças de Segurança, aos antigos combatentes e às famílias, e apresenta três propostas concretas.

“A verdade não se limita ao campo das palavras. Abrange também o testemunho de vida, a coerência entre o que dizemos e o que somos. A verdade pratica-se. Por outro lado, jamais se possui plenamente. A verdade procura-se. É uma conquista progressiva, que exige esforço, sinceridade e humildade”, escreve D. Sérgio Dinis, na mensagem para a Quaresma 2026, enviada à Agência ECCLESIA.

A Quaresma, que se inicia hoje com a celebração de Cinzas, é um tempo litúrgico de 40 dias (a contagem exclui os domingos), marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência; serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão (5 de abril, em 2026).

O bispo do Ordinariato Castrense de Portugal acrescenta que em Quarta-Feira de Cinzas iniciam “uma caminhada espiritual de conversão”, e, durante estes 40 dias, os cristãos são convidados a preparar-se “para o mistério central da fé e da libertação” – a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo – e propõe “um caminho de conversão à Verdade” para a Quaresma 2026.

Na Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança são “todos” convidados — militares, polícias e civis que servis as Forças Armadas e as Forças de Segurança, os antigos combatentes, e familiares — a fazer deste tempo quaresmal “um caminho de busca da verdade”, mas “da verdade que liberta”.

Segundo D. Sérgio Dinis, fé e razão são “duas vias necessárias e complementares nesta busca”, e explica que todo o ser humano “foi criado com uma vocação inata para a verdade” e, por isso, dotado de razão, mas a razão, “por si só, não basta, é grande, mas não é absoluta; precisa de horizonte, precisa de luz. Precisa da fé”.

“A busca da verdade é um anseio profundo do coração humano, e procurá-la supõe sempre um exercício de liberdade autêntica. No entanto, perante uma tarefa tão exigente, muitos preferem atalhos ou mesmo desculpas. Uns proclamam a incapacidade do homem para alcançar a verdade; outros negam que exista uma verdade válida para todos.”

O bispo das Forças Armadas e de Segurança apresenta três propostas concretas: a ‘verdade em mim’, porque a conversão à verdade “começa no interior”, e incentiva a reservar diariamente “momentos de silêncio, fazer um exame sincero de consciência e confrontar a própria vida com o Evangelho”; a ‘verdade na palavra’, isto é, são chamados a dizer a verdade “a partir dos factos e não das suposições”; e a ‘verdade no agir’, nas decisões concretas.

“Para vós, militares e elementos das Forças de Segurança, esta verdade ganha particular densidade no terreno: nas decisões difíceis tomadas sob pressão; no uso responsável da autoridade e, quando necessário, da força; na obediência leal que nunca abdica da consciência; na fidelidade às instituições, que jamais pode significar infidelidade à dignidade da pessoa humana”, desenvolveu, sobre a ‘verdade no agir’.

O bispo do Ordinariato Castrense de Portugal refere também que durante este tempo litúrgico existe a renúncia quaresmal, são chamados a “abdicar de algo legítimo — um bem, um conforto, um hábito” — e manifestar, na caridade, “o amor ao próximo”, que destinou para “ajudar as vítimas do mau tempo que afetou o Centro de Portugal”.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, no dia 28 de janeiro, causou mortes, vários feridos e desalojados; Os distritos que registam mais estragos foram Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém.

CB/OC

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