Algarve: Bispo afirma que «forma como cuida dos mais frágeis» é medida da «comunidade cristã» e da sociedade justa

D. Manuel Quintas salientou que «a compaixão tem também uma dimensão social», no Hospital de Faro

Foto: Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Faro, 12 fev 2026 (Ecclesia) – O bispo do Algarve afirmou que a compaixão “não se trata apenas de sentir pena”, na celebração do Dia Mundial do Doente que presidiu, esta quarta-feira, no hospital, “lugar de desumanização, mas também um lugar sagrado”, em Faro.

“Hoje, a compaixão tem também uma dimensão social. Não é apenas uma virtude individual, é um critério para organizar a sociedade”, disse D. Manuel Quintas, a partir da parábola do ‘bom samaritano’, na Eucaristia, ao final da manhã desta quarta-feira, 11 de fevereiro, citado pelo jornal ‘Folha do Domingo’.

Na celebração do Dia Mundial do Doente 2026, o bispo do Algarve explicou que a parábola bíblica interpela “a todos”, quando faltam meios, “quando os profissionais trabalham no limite, quando os doentes esperam respostas que tardam”, “não para acusar, mas para despertar”.

“Todos gostaríamos que a saúde fosse melhor, que desse uma resposta mais adequada, apesar de todo o esforço que se faz de maneira generosa.”

D. Manuel Quintas salientou que “a saúde não é apenas um problema técnico”, mas “uma questão de humanidade”, e afirmou que “uma comunidade cristã – e uma sociedade justa – mede-se pela forma como cuida dos mais frágeis”, na capela do Hospital de Faro.

Na Missa, onde foi administrado o Sacramento da Unção a oito doentes, o presidente da celebração do Dia Mundial do Doente desejou “uma Igreja em saída, que caminha pelas estradas do mundo e, sobretudo, que não passa ao largo”, e uma sociedade que “não se acomode, indiferente, ao sofrimento dos mais frágeis”.

Aos doentes e profissionais da saúde, que participaram nesta Eucaristia, D. Manuel Quintas, explicou que “o hospital pode tornar-se um lugar de desumanização, mas pode também tornar-se um lugar sagrado”, onde cada quarto é como a hospedaria da parábola, “onde se continua nos dias de hoje a obra do Samaritano”.

Segundo o bispo do Algarve, neste hospital a parábola de Jesus “ganha um rosto muito concreto”, com os «caídos à beira do caminho» que entram diariamente pelas suas portas, estão nas suas enfermarias, e “são assistidos nas suas camas”, os que “carregam dores físicas, medos, angústias, solidão”, quantos vivem a doença como “uma experiência de vulnerabilidade profunda”.

“Nunca sois um número, nem um processo clínico, nem uma estatística. Sois filhos amados de Deus. A vossa fragilidade não diminui a vossa dignidade. Pelo contrário, lembra-nos a todos o que é essencial: precisamos uns dos outros”, disse aos doentes.

O bispo diocesano salientou também que a missão dos profissionais de saúde “é profundamente samaritana”, e lembrou que estão “sobrecarregados, cansados, pressionados por tantas limitações, inclusivamente estruturais”, e, por vezes com escassos recursos, “que procuram suprir essas limitações dando o melhor de si mesmos”.

Foto: Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A Eucaristia foi concelebrada pelo capelão hospitalar Luís Gonzaga, os padres Getúlio Bica, Samuel Camacho e Rui Guerreiro e servida pelo diácono Luís Galante, esteve presente também o pastor Rodrigo Sequeira, da Comunidade Nova Aliança, pertencente à Aliança Evangélica Portuguesa, o presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Algarve, Tiago Botelho da Silva, e administradores.

O bispo do Algarve anunciou que o capelão católico desta unidade hospitalar vai terminar o seu serviço, “devido à idade”, o padre Luís Gonzaga “está a completar 70 anos”.

D. Manuel Quintas agradeceu “a dedicação, doação, entrega e generosidade” que este sacerdote “demonstrou sempre ao longo dos 13 anos”, e adiantou que está a decorrer o processo para que este acompanhamento possa ser continuado, talvez por dois sacerdotes, a tempo parcial, informa o jornal diocesano ‘Folha do Domingo’.

CB/OC

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