D. António Moiteiro lembra «compromisso com os mais pobres» e promoção da justiça, respeito pela criação, a equidade e acolhimento a todos

Aveiro, 12 fev 2026 (Ecclesia) – O bispo de Aveiro destinou a renúncia quaresmal ao Sudão e às vítimas de violência doméstica na diocese, e explica que este é um tempo para a renovação pessoal e comunitária com repercussões na vida social e eclesial.
“A Renúncia quaresmal, este ano, é destinada a ajudar as populações deslocadas do Sudão e as instituições que na nossa diocese de Aveiro trabalham e apoiam as vítimas de violência doméstica”, explica D. António Moiteiro, na Mensagem da Quaresma, enviada hoje, 12 de fevereiro, à Agência ECCLESIA.
A Quaresma que se inicia com a celebração de Cinzas (quarta-feira), este ano dia 18 de fevereiro, é um tempo litúrgico de 40 dias (a contagem exclui os domingos), marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência; serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão (5 de abril, em 2026).
“O compromisso com os mais pobres passa pela partilha de bens e pelo envolvimento em ações que promovam a justiça, o respeito pela criação, a equidade na distribuição da riqueza produzida e no acolhimento a todos os que nos procuram na esperança de melhores condições de vida”, desenvolveu o bispo de Aveiro.
D. António Moiteiro começa a sua mensagem a indicar que a Quaresma é “um tempo de escuta e meditação” da Palavra de Deus para que a renovação pessoal e comunitária “aconteça no coração das nossas comunidades, com repercussões na vida social e eclesial”.
“A vocação de cada pessoa e da sociedade no seu todo deve cultivar uma ordem social baseada em valores assentes na verdade, na justiça, na responsabilidade mútua, na compaixão e no amor aos outros. Só desta maneira seremos capazes de enfrentar com honestidade e urgência as ameaças e preocupações que vão surgindo no dia-a-dia para construirmos um mundo mais justo, mais equitativo e pacífico para todas as pessoas e para toda a criação”, salientou.
Na mensagem, intitulada ‘Das cinzas à ressurreição’, o bispo diocesano de Aveiro explica que a liturgia este ano propõe “a leitura dos evangelhos catecumenais” – a samaritana, o cego de nascença e a ressurreição de Lázaro, que explica.
“São essenciais na preparação próxima dos catecúmenos para a celebração dos sacramentos da iniciação cristã, mas também para todos os batizados renovarem o seu vínculo com Cristo e com a Igreja”, acrescenta, no documento baseada na caminhada quaresmal ‘Transformação: das Cinzas à Ressurreição’ proposta a toda a diocese.
Na mensagem para a Quaresma 2026, o bispo de Aveiro apresenta mais duas propostas, para além do jejum, partilha, e da renúncia quaresmal: sugere a ‘Palavra de Deus e oração’, “um maior aprofundamento do Evangelho de Mateus”, e “todos os dias” se dedique um tempo para a leitura, e o silêncio, “num mundo de ruídos, ligações via internet, de uso intensivo dos novos meios de comunicação social, muitas vezes sem critérios de verdade”.

A Diocese de Aveiro divulgou também uma carta de D. António Moiteiro para os sacerdotes e diáconos, onde começa por salientar que a Quaresma se aproxima e devem “prepará-la para que seja um tempo de graça e conversão”, por isso, recordou “alguns momentos importantes” aos quais são chamados.
O bispo diocesano recorda aos sacerdotes e diáconos que têm a sua recoleção, na Quarta-Feira de Cinzas, na Casa Diocesana, a partir das 09h30; o programa começa com acolhimento, segue-se a reflexão, silêncio e “adoração ao Santíssimo Sacramento”.
No primeiro fim-de-semana da Quaresma, os catecúmenos são chamados a participar num encontro de formação, na manhã de sábado, dia 21, no Seminário de Santa Joana Princesa, e no dia seguinte, domingo, há a inscrição dos catecúmenos que vão celebrar os sacramentos da iniciação cristã este ano, na Eucaristia das 19h00, na Sé.
A renúncia quaresmal é uma prática em que os fiéis abdicam da compra de bens adquiridos habitualmente noutras épocas do ano, reservando o dinheiro para finalidades especificadas pelo bispo da sua diocese.
CB/OC
