Responsável nacional sublinha papel da atividade turística como motor de recuperação após tempestades

Lisboa, 12 fev 2026 (Ecclesia) – O diretor da Pastoral do Turismo – Portugal (PTP) afirmou que o turismo deve ser mais do que uma “indústria de números” e assumir-se como motor de humanização e recuperação social, especialmente nas zonas afetadas pelas recentes intempéries.
“O turismo, da mesma forma que na pós-pandemia foi o arranque daquilo que era a recuperação, aqui também tem de ser para preservar aquilo que é o património, a cultura e a identidade”, disse o padre Miguel Lopes Neto, em declarações à Agência ECCLESIA.
O responsável católico falava a propósito das VI Jornadas Nacionais da Pastoral do Turismo, que vai decorrer entre sexta-feira e sábado, em Almada.
O padre Miguel Neto sublinhou que a Igreja recusa o papel de simples “zeladora de museus” e quer intervir ativamente na definição de políticas públicas.
“O contributo que a Igreja tem de dar é para esse menos cálculo e mais humanismo. A começar pelo acolhimento de quem nos visita”, defendeu, alertando para a necessidade de combater a exploração laboral no setor.
Para o sacerdote da Diocese do Algarve, o turismo desempenha um papel fundamental na integração de imigrantes e no combate à xenofobia.
“O que leva à fobia contra os imigrantes é o desconhecimento, é o preconceito. O turismo leva-nos a conhecer outras culturas, mesmo quando elas estão cá dentro”, explicou, dando o exemplo das comunidades estrangeiras que frequentam as celebrações católicas na região algarvia.

A investigadora Sandra Moreira, membro da equipa da PTP e conferencista nas jornadas, alertou para o fenómeno da “ilusão da comunicação”, onde a experiência turística é muitas vezes mediada apenas pelo telemóvel, transformando o património em cenário.
“Se eu for a um sítio e não aceitar o tal desconforto de que sou turista e tenho que ir procurar uma coisa que seja verdadeiramente genuína, eu posso não trazer de lá nada a mais do que já tenho”, advertiu.
A especialista defendeu a necessidade de “literacia turística” tanto para quem visita como para quem acolhe, sublinhando que a Igreja, detentora de grande parte do património cultural português, tem a responsabilidade de comunicar a sua identidade de forma autêntica.
Sobre o impacto do mau tempo que tem assolado o país, destruindo património e afetando a economia local, os responsáveis da PTP mostram-se confiantes no papel do turismo religioso e espiritual como alavanca de futuro.
“A fixação de pessoas nas localidades [afetadas] é fundamental, porque já houve o risco de, uma vez destruído, as pessoas irem retomar a vida noutra área”, notou o padre Miguel Neto.
As VI Jornadas Nacionais da Pastoral do Turismo vão decorrer no Santuário de Cristo Rei, em Almada, sob o tema “A Esperança de uma nova Sustentabilidade”.
A iniciativa vai estar em destaque na emissão deste domingo (06h00) do Programa ECCLESIA, na Antena 1 da rádio pública.
OC
