Fátima: Novo núncio apostólico reza pelas vítimas das tempestades, em Missa no Santuário (c/fotos)

D. Andrés Carrascosa Coso sublinha importância da solidariedade e rejeita «separação entre a fé e a vida»

Foto: Agência ECCLESA/HM

Fátima, 10 fev 2026 (Ecclesia) – O novo núncio apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, presidiu hoje à Missa no Santuário de Fátima, onde rezou pelas vítimas da depressão Kristin, antes de visitar as populações mais afetadas em Leiria.

“Quis vir para rezar pelos falecidos, pelas famílias atingidas, pelos feridos, pelos desalojados, pelas pessoas que ficaram tão afetadas”, afirmou o representante diplomático do Papa, na homilia da celebração, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário.

Um dia após ter apresentado as cartas credenciais ao presidente da República Portuguesa, D. Andrés Carrascosa Coso deslocou-se à Cova da Iria para confiar o início da sua missão à Virgem Maria e associar-se ao “momento difícil” que a região vive, fazendo “eco das palavras do Papa Leão XIV”, enviadas a 30 de janeiro.

“Venho fazê-lo aos pés da Mãe. Maria, como toda a mãe, e ainda mais Ela, conhece-nos, compreende aquilo que os filhos estão a viver, espera-nos, escuta-nos, é o nosso consolo e a nossa esperança”, assinalou.

Eu quis estar aos pés da Mãe, como filho, para colocar toda esta situação que estamos vivendo nestes dias, mas também colocar esta minha nova missão, à qual o Papa Leão XIV me envia, como seu representante em todo este país, Portugal, o que é uma alegria e uma honra para mim.”

Partindo da liturgia do dia, o núncio apostólico alertou para o risco do “formalismo exterior”, criticando quem dá prioridade a normas humanas ou práticas externas “acima da caridade, do amor ao próximo e da justiça”.

“O coração de um cristão está perto de Deus quando, ao amor a Deus, une o amor ao irmão que sofre. Por isso, após esta celebração, eu vou a Leiria para me aproximar das pessoas que estão a sofrer, porque eles também são uma presença de Deus”, anunciou.

O responsável diplomático da Santa Sé citou o Concílio Vaticano II para sublinhar que “a separação entre a fé e a vida quotidiana deve ser considerada como um dos erros mais graves”.

“Não podemos absolutizar somente o templo e o culto, se esquecermos o amor aos nossos irmãos”, insistiu, pedindo que a solidariedade não seja esquecida sob “desculpas” ou “preguiça”.

O amor a Deus, o amor e a devoção à Nossa Senhora, têm de estar sempre unidos ao amor ao próximo, especialmente àqueles que sofrem.”

D. Andrés Carrascosa Coso, de 70 anos, chegou a Lisboa no dia 3 de fevereiro e apresentou esta segunda-feira as cartas credenciais a Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém.

Nomeado pelo Papa Leão XIV a 11 de dezembro de 2025, o arcebispo espanhol desempenhou anteriormente as funções de núncio apostólico no Equador (2017-2025), Panamá (2009-2017) e na República do Congo e no Gabão (2004-2009).

OC

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