Conferência Episcopal fala em caminho para a «democratização» do país

Caracas, 10 fev 2026 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal da Venezuela (CEV) pediu uma lei de “amnistia geral” dos presos políticos, num cenário nacional marcado pelos acontecimentos de 3 de janeiro e os caminhos de “democratização” no país.
“Embora tenham sido interpretados como uma violação do direito internacional, muitos consideram que abrem caminhos para a democratização do país”, escrevem os prelados, referindo-se à recente instabilidade política, após a captura do presidente Nicolás Maduro, no início do ano, numa operação militar dos EUA.
No final da 125.ª Assembleia Plenária, os bispos divulgaram uma exortação pastoral na qual analisam o momento atual, reconhecendo que “os acontecimentos de 3 de janeiro deste ano mudaram profundamente o panorama político e social”.
A mensagem, intitulada com a passagem de Isaías “A tua luz brilhará como a aurora”, sublinha a urgência de reconstruir as instituições, nomeadamente através do restabelecimento da independência dos poderes públicos.
A Igreja Católica exige um Supremo Tribunal de Justiça e um Conselho Nacional Eleitoral “credíveis”, capazes de assegurar, no futuro, “eleições livres e justas”.
O documento, citado pelo portal de notícias do Vaticano, recorda a crise de legitimidade anterior, afirmando que a soberania popular foi “desrespeitada quando os órgãos do Estado não publicaram de forma detalhada a proclamação dos resultados das eleições presidenciais de 28 de julho de 2024”.
A posição dos bispos venezuelanos surge em sintonia com o Papa Leão XIV, que no passado dia 4 de janeiro apelou a que “o bem do querido povo venezuelano” prevalecesse sobre a violência.
Respondendo a este apelo de reconciliação, a CEV pede passos concretos: “Apoiamos a aprovação de uma lei de amnistia geral, ampla e inclusiva, como um passo crucial para a reconciliação e a coexistência democrática”.
Os bispos exigem a “libertação completa de todos os presos políticos” e manifestam solidariedade para com os milhões de migrantes e os jovens que viram as suas oportunidades “destruídas”.
No plano económico e social, a exortação alerta para a pobreza que afeta a maioria da população e deixa um aviso sobre a gestão dos recursos energéticos.
O episcopado defende que os lucros provenientes da “reativação da indústria petrolífera” devem ser destinados à melhoria dos salários e programas sociais, e não geridos segundo “lógicas de clientelismo partidário”.
Para a Igreja, o sonho de paz na Venezuela exige “erradicar a mentira, o ódio, o rancor, a vingança e a guerra de palavras”, propondo um caminho de “purificação da memória”.
A mensagem conclui com um convite à oração durante a Quaresma, invocando a proteção de Nossa Senhora de Coromoto para que o país encontre caminhos de “liberdade, justiça e paz”.
OC
