Leão XIV pediu que «resistam juntos ao individualismo que empobrece o coração e enfraquece a missão»

Cidade do Vaticano, 10 fev 2026 (Ecclesia) – O Papa escreveu à assembleia presbiteral da Arquidiocese de Madrid, “a partir de um sincero desejo de fraternidade e unidade”, e convidou os sacerdotes a uma leitura profunda da realidade atual, marcada por processos de secularização e polarização cultural.
“Para o sacerdote, não é tempo de retraimento nem de resignação, mas de presença fiel e de disponibilidade generosa, a iniciativa é sempre do Senhor, que já está agindo e nos precede com a sua graça”, escreve Leão XIV, na mensagem divulgada, esta segunda-feira, pela sala de imprensa da Santa Sé.
O Papa alerta que a fé “corre o risco de ser instrumentalizada, banalizada ou relegada ao âmbito do irrelevante”, e convidou os sacerdotes a uma leitura profunda da realidade atual, marcada por processos de secularização e polarização cultural.
“A fé corre o risco de ser instrumentalizada, banalizada ou relegada ao âmbito do irrelevante; no coração de muitas pessoas abre-se hoje uma nova inquietação”, salientou, identificando sinais de esperança, sobretudo entre os jovens.
A assembleia presbiteral é uma oportunidade de comunhão e discernimento sobre “que tipo de sacerdote Madrid precisa hoje”, convocado pelo arcebispo da capital espanhola, o cardeal José Cobo.
“Não se trata de inventar novos modelos, nem de redefinir a identidade que recebemos, mas de voltar a propor, com renovada intensidade, o sacerdócio em seu núcleo mais autêntico — ser alter Christus —, deixando que seja Ele quem configure a nossa vida, unifique o nosso coração e dê forma a um ministério vivido a partir da intimidade com Deus, da entrega fiel à Igreja e do serviço concreto às pessoas que nos foram confiadas”, desenvolveu o Papa.

O encontro ‘CONVIVIUM’ da Arquidiocese espanhola de Madrid reúne cerca de 1585 presbíteros com encargos pastorais, entre os aproximadamente 2600 sacerdotes deste território arquidiocesano.
Leão XIV, que escreve a sua mensagem a “partir de um sincero desejo de fraternidade e unidade”, salientou ainda saber que, “muitas vezes, este ministério se desenvolve em meio do cansaço”, situações complexas e “uma entrega silenciosa da qual só Deus é testemunha”.
“Filhos meus, ninguém deveria sentir-se exposto ou sozinho no exercício do ministério: resisti juntos ao individualismo que empobrece o coração e enfraquece a missão”, acrescentou o Papa, na sua mensagem.
Segundo Leão XIV, o sacerdote “não vive para se exibir, mas tampouco para se esconder”: “Sua vida é chamada a ser visível, coerente e reconhecível, ainda que nem sempre seja compreendida”.
CB/PR
