Somos pobres de amor

José Luís Nunes Martins

Foto de Kristina Tripkovic na Unsplash

Quem de entre nós se reconhece como carente, como mendigo da atenção e do amor do outro?

É muito mais comum encontrar pessoas que julgam bastar-se a si mesmas, que dizem amar os outros e amar-se a si próprias, sem assumirem a falta de serem amadas.

A miséria de precisar do amor do outro é algo que faz parte da nossa natureza e é como uma força que nos aponta o caminho da felicidade. Se não me sentir amado, jamais serei feliz. Por muito que ame.

Claro que ninguém se ama a si mesmo. Isso é uma contradição, um egoísmo com um nome agradável ao ouvido. Quem se dá a si mesmo não se dá a mais ninguém, até porque nunca se dará por satisfeito: é como beber água salgada para matar a sede. Amar é ser um meio para a felicidade de um outro, diferente de mim, construindo, em comunhão, algo que nenhum de nós alcançará sozinho.

Posso e devo cuidar de mim antes de me entregar a alguém, não por amor a mim, mas por amor ao outro.

Para ser amado preciso de ser humilde, para me abrir a esse bem que me chega de fora. Os orgulhosos não são felizes, também porque não se deixam amar, talvez por se julgarem acima dessa necessidade.

O que os egoístas e os orgulhosos não sabem é que, sem amar e ser amado, nunca ninguém foi feliz.

É essencial que cada um de nós estenda as mãos do seu coração e, com humildade, reconheça o amor de quantos nos amam. Alguns bem diante de nós, outros a partir de onde não podemos ver… mas podemos sentir.

(Os artigos de opinião publicados na secção ‘Opinião’ e ‘Rubricas’ do portal da Agência Ecclesia são da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)

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