IA: Reitora da UCP defende formação dos estudantes para no futuro não «serem vítimas dos desenvolvimentos tecnológicos»

Isabel Capeloa Gil abriu sessão solene do Dia Nacional da UCP, que decorreu sob o mote «Por uma Diaconia da Cultura»

Foto Agência ECCLESIA/TAM

Lisboa, 06 fev 2026 (Ecclesia) – A reitora da Universidade Católica Portuguesa (UCP) assinalou hoje, em Lisboa, a necessidade de as universidades formarem estudantes perante o avanço da Inteligência Artificial (IA), evitando sofrerem com os desenvolvimentos tecnológicos no futuro.

“É importante perceber que este instrumento é um instrumento poderosíssimo e que tem de ser humanocêntrico, ou seja, tem de ser centrado nas necessidades das pessoas, as pessoas têm de ser educadas para a utilização ética da inteligência artificial, sem perder a sua capacidade criativa, que é aquilo que nos torna humanos”, afirmou a responsável, na sede da UCP.

A Universidade Católica Portuguesa promoveu, esta tarde, no auditório Cardeal Medeiros, uma sessão solene para assinalar o Dia Nacional da instituição, que teve como mote “Por uma Diaconia da Cultura”.

Em declarações à Agência ECCLESIA e Renascença, no final da cerimónia, a reitora da UCP assinalou que “a função da universidade não é meramente instrumental”, isto é, não passa por instruir pessoas para “fazer tarefas”, mas por “formar indivíduos que tenham o conhecimento suficiente para poder modelar o seu próprio futuro, para poder desenhar as suas próprias funções”.

Isabel Capeloa Gil reconhece que o “mercado de trabalho vai alterar-se imensamente” e que “com a digitalização e com a inteligência artificial muitas tarefas que são agora desempenhadas por seres humanos vão ser desempenhadas por máquinas”.

Qual é a função das universidades? Formarmos as pessoas no sentido de elas poderem controlar o seu futuro e não serem, digamos, vítimas dos desenvolvimentos tecnológicos”, sublinhou.

No discurso, que proferiu no início da sessão solene, a reitora da UCP referiu que hoje “vive-se num tempo de adolescência, tanto para os humanos como para a máquina”.

“Não podemos querer formar profissionais que pretendam emular a capacidade de computação da máquina, mas indivíduos capazes de construir legítimas relações, com sentido e valores, além da simples razão suficiente”, frisou.

Foto Agência ECCLESIA/TAM

Falando na adoção da IA pelas instituições de ensino superior, a responsável referiu que, na Católica, “na senda de um entendimento institucional da universidade como espaço de experimentação, de universidade-estúdio”, está “em curso um processo triádico de transformação”.

“O primeiro, a transformação organizacional. Em segundo lugar, a reforma pedagógica e curricular. E, finalmente, um ambicioso plano de desenvolvimento infraestrutural”, declarou.

No segundo eixo, Isabel Capeloa Gil adiantou que há um núcleo que “trabalha o futuro digital, assumindo que a computação e a programação deixaram de ser disciplinas de nicho para se tornarem pertinentes a qualquer formação universitária”.

“Nas sua essência prática, estas disciplinas enfatizam a resolução de problemas, cultivando o chamado pensamento algorítmico ou pensamento computacional, que permite compreender esses mesmos problemas, conceber soluções e apresentá-las de forma precisa e lógica, sem descurar nunca uma formação centrada e desenvolvida a partir da integralidade do humano”, desenvolveu.

No que respeita ao Grande Plano de Desenvolvimento Infraestrutural da UCP, a cinco anos, a reitora da universidade deu conta que “está desde já em curso o início das obras do Campus Veritati e a reforma da clínica dentária em Viseu”.

Pautada por momentos musicais, a cerimónia concluiu com a intervenção do magno chanceler da UCP e patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, que alertou que “quando o conhecimento se esgota num aspeto único, corre-se o risco de uma paralisia na liderança, pois quem não vê a totalidade dificilmente saberá oferecer projetos que projetem o futuro”.

O patriarca de Lisboa lembrou que a Católica “tem a tarefa de promover uma síntese do saber que permita ao homem tornar-se verdadeiramente humano”.

Evocando o Papa Leão XIV, que tantas vezes tem dito que a “universidade nasce do encontro entre a razão e a fé”, o responsável católico enfatizou que, neste contexto, a missão desta universidade “é ser uma diaconia da cultura”.

Numa cultura muitas vezes fragmentada, a universidade deve ser o lugar onde o saber se torna sabedoria, onde a ciência não se separa da ética e onde a inteligência se abre ao amor e ao serviço. Não se tenha medo, pois, de procurar a verdade com coragem”, apelou.

Em declarações à Agência ECCLESIA e Renascença, a reitora da UCP explicou que o termo “diaconia da cultura”, que deu mote à sessão solene, surge da Carta Apostólica “Desenhar Novos Mapas de Esperança”, do Papa Leão XIV, e que o seu significado se relaciona com a Católica.

“Esse é o cerne da nossa missão, não é? Portanto, não só produzir conhecimento quantificável e útil, […] mas ao mesmo tempo incutir nos nossos estudantes a capacidade de ler outras linguagens, de apreciar, seja da literatura, da arte, no fundo, conhecer os quadros artísticos que estão na base daquilo que é a maior expressão da capacidade humana”, indicou.

A cerimónia incluiu a atribuição do grau de Doutor Honoris Causa a Philippe Starck, para quem, assinalou a reitora da UCP, “o design é não só uma atitude de criatividade e inovação e uma forma de pensar, mas um contributo essencial para a vida em comum”.

O distinguido, criador de renome internacional com uma obra inventiva e multifacetada, centra-se no essencial – a sua visão; esta fundamenta-se no princípio de que a criação, independentemente da sua forma, deve melhorar a vida do maior número de pessoas.

Segundo informa a UCP, “esta filosofia consagrou-o como um dos pioneiros e figuras centrais do denominado ‘design democrático’”.

A sessão ficou também marcada pela imposição das insígnias e a entrega das cartas doutorais a 53 novos doutores da Universidade Católica, bem como a atribuição de medalhas de prata e ouro a 24 colaboradores da instituição, que completaram 25 e 40 anos de serviço, como forma de reconhecimento pela sua dedicação.

Autoridades civis, religiosas e académicas marcaram presença na sessão, nomeadamente o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, o antigo presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e o encarregado de negócios da Nunciatura Apostólica, monsenhor José António Teixeira Alves.

O Dia Nacional da Católica celebra-se no 1.º domingo do mês de fevereiro de cada ano; em 2026, assinalou-se no dia 1 de fevereiro, com uma Missa de Ação de Graças, na igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, no Parque das Nações, na capital.

A UCP, fundada em 1967, é uma universidade de matriz humanista focada na produção de investigação transformadora e na formação de cidadãos e profissionais educados e competentes, capazes de antecipar e liderar as transformações do futuro.

LJ

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