Presidente do organismo católico assume intenção de acompanhar processo de reconstrução, após devastação das tempestades

Leiria, 08 fev 2026 (Ecclesia) – A presidente da Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima alertou que, mais de uma semana após a tempestade Kristin, as equipas no terreno continuam a descobrir situações marcadas pelo isolamento e pela falta de condições básicas.
“Principalmente a comunicação, as pessoas estão isoladas, deslocam-se 10, 15 quilómetros para comunicar com familiares, muitas vezes até connosco”, relata Ana Isabel Mota, convidada da entrevista conjunta à Agência ECCLESIA e à Renascença, emitida e publicada aos domingos.
A presidente da instituição revela católica que chegam pedidos de socorro urgentes, via e-mail ou presencialmente, de quem não tem “comida nem agasalhos” porque as habitações ficaram expostas à intempérie.
“Fazemos visitas e deparamo-nos com situações em que [as pessoas] não têm absolutamente proteção nenhuma, não têm eletricidade, não têm água. É o básico que falta”, sublinha.
Para responder à emergência, a Cáritas tem cinco equipas multidisciplinares na rua diariamente – compostas por psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros –, que estão a cobrir todo o território da diocese.
“Temos de ir ter com as pessoas, a periferia ainda está muito isolada”, assume a entrevistada.
Nós procuramos muitos as Juntas de Freguesia pela proximidade, as pessoas são visitadas, mas não é suficiente, o apoio que se está a dar não é suficiente. Eu não vou ser muito drástica e dizer, ‘olhem, estão abandonadas’, mas que estão deslocadas e desprotegidas e tristes estão, isso é verdade.”
No meio da devastação, Ana Isabel Mota destaca a resposta da sociedade civil, classificando-a como uma “onda de solidariedade avassaladora”, que permitiu recolher mais de 1 milhão de euros em donativos, em menos de uma semana.
A responsável realça o papel dos jovens e, de forma particular, da comunidade imigrante, que se juntou aos esforços de limpeza e apoio.
“Tivemos muitos voluntários, muitos jovens, muitos escuteiros e também muitos imigrantes, que se disponibilizaram de imediato para ajudar na limpeza das vias e no apoio às famílias”, indicou.
A ajuda tem chegado de todo o país, com a Cáritas a receber carrinhas com bens essenciais, muitas das quais foram encaminhadas diretamente para as Juntas de Freguesia e grupos sociocaritativos locais (Marinha Grande, Vieira de Leiria, Ourém), para agilizar a distribuição.
Olhando para o futuro, a Cáritas de Leiria-Fátima assume a intenção de apoiar na reconstrução, aplicando a experiência adquirida nos incêndios de 2017, mas avisa que o processo exige rigor na avaliação.
“Vamos ajudar na reconstrução, sim, mas temos de ser muito rigorosos na avaliação dos danos e das necessidades, para que a ajuda chegue a quem efetivamente precisa e não haja duplicação de apoios”, explicou Ana Isabel Mota.
A presidente da Cáritas diocesana referiu ainda que as palavras do Papa Leão XIV e a presença constante do bispo de Leiria-Fátima, D. José Ornelas, têm sido um sinal de “esperança” para quem está na linha da frente e para as vítimas.
Henrique Cunha (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)
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Até às 12h00 de 07/02/202), o Fundo de Emergência Social Diocesano conseguiu angariar 1.267.088,67 euros, refletindo a “continuidade de uma mobilização solidária de grande dimensão por parte da sociedade portuguesa”.
No plano da resposta direta às populações afetadas, até ao momento, a Cáritas Diocesana de Leiria:
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