Leiria-Fátima: Mau tempo provocou danos em 45% dos edifícios da Igreja

Diretor do Departamento Diocesano do Património Cultural pede que apoio financeiro à recuperação não se limite a monumentos classificados

(Santuário de Nossa Senhora da Encarnação)
Foto: Lusa

Fátima, 05 fev 2026 (Ecclesia) – O diretor do Departamento do Património Cultural da Diocese de Leiria-Fátima revelou hoje que 45% do edificado religioso da região sofreu danos com a passagem da tempestade Kristin, apontando para mais de 120 casos já identificados.

“Do nosso levantamento já temos a perceção que, até à data de hoje, 45% do património foi afetado”, adiantou Marco Daniel Duarte, sublinhando que se trata de danos “muitíssimo avultados”.

Em declarações à Agência ECCLESIA e à Renascença, em Fátima, o responsável Duarte descreveu um cenário de destruição que vai muito além dos casos mediáticos, como o do Santuário de Nossa Senhora da Encarnação.

“Sentimos o património a gritar por socorro. Sentimos também os profissionais do património interessados em querer intervir quanto antes, mas, na verdade, há um compasso de espera que nós temos de fazer acontecer”, precisou, tendo em consideração a persistência do mau tempo.

O levantamento, realizado através de um inquérito enviado às paróquias, permitiu mapear estragos em igrejas, capelas, oratórios, casas paroquiais e centros pastorais.

As situações reportadas variam desde a perda de telhas, que origina a infiltração de água nos espaços de culto, até à queda de “pináculos e torres sineiras sobre os telhados” e danos em coros altos.

O diretor do Departamento do Património Cultural da Diocese de Leiria-Fátima manifestou a preocupação de que as ajudas estatais para a recuperação dos estragos da tempestade Kristin se limitem aos edifícios classificados, deixando de fora muitas igrejas paroquiais.

“Aquilo que tememos é que as ajudas não cheguem a todo lado e que se fiquem pelos edifícios notáveis que temos em Portugal e neste território da região Centro, obviamente, mas que estas outras igrejas depois não possam ser tratadas também com a dignidade que o património que herdámos do passado merece”, afirmou.

O responsável destacou que a diocese trabalha em coordenação com o Património Cultural, I.P. e sente “uma grande atenção” por parte do organismo estatal, mas alertou para os critérios de atribuição de verbas.

Segundo Marco Daniel Duarte, é fundamental valorizar o edificado de proximidade, muitas vezes a única referência cultural das populações locais.

“O património paroquial das dioceses, muito dele, não é património que esteja classificado pelos parâmetros que o Estado tem para a classificação do património, mas é o único património importante que estas comunidades têm”, sustentou.

O diretor manifestou particular preocupação com o recheio artístico, nomeadamente os retábulos que, “estão, neste momento, com infiltrações de água e que, portanto, vão causar danos a curto e a médio prazo”.

Apesar da urgência, Marco Daniel Duarte reconheceu que a prioridade imediata tem sido o socorro às populações e às habitações particulares, o que tem limitado o acesso a meios técnicos para intervir nas igrejas.

“As gruas, neste momento, estão todas embargadas para outro tipo de situações na cidade e nos arredores de Leiria e, portanto, nem sequer conseguimos chegar a património que esteja em altura”, explicou.

A diocese tem procurado “acautelar situações prementes”, salvaguardando esculturas e património móvel, num trabalho de coordenação com o Estado.

“Estamos a fazer esse trabalho silencioso de mapear tudo aquilo que é possível”, garantiu.

Questionado sobre o valor monetário dos prejuízos, Marco Daniel Duarte admitiu não ter ainda “qualquer capacidade” para avançar com uma estimativa global, dada a extensão e complexidade dos danos.

OC

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