Quaresma: Arcebispo e bispos auxiliares de Braga exortam a «cuidar da sementeira», tendo o jardim pascal como «meta»

Renúncia quaresmal vai servir para apoiar atingidos pela pobreza, a recuperação de edifício para mulheres, jovens e crianças vítimas de violência doméstica e afetados por terramoto em Marrocos

Foto: D. R.

Braga, 04 fev 2026 (Ecclesia) – Os arcebispo e bispos auxiliares de Braga escreveram uma mensagem para a Quaresma 2026, publicada no passado sábado, em que incentivam Arquidiocese a “cuidar da sementeira”, a acolher a “fecundidade na fragilidade”, rumo ao jardim pascal.

“No Advento, desafiámos cada um a dizer ‘sim’ com criatividade. Guardámos no coração o saco de sementes, símbolos da Palavra que Deus quis plantar em nós. Agora, damos início ao tempo da Quaresma. É o momento de abrir o solo, de mexer na terra, cuidar da sementeira”, pode ler-se no texto.

Os responsáveis católicos reconhecem que muitas vezes muitos olham para a vida e veem desertos, isto é, a exaustão, a fé já não entusiasma, a família e o trabalho que pesam, feridas abertas e perguntas sem resposta, o futuro que assusta.

“Nós próprios, enquanto pastores, sentimos o peso destes desertos. Por isso, não vos escrevemos esta mensagem de fora do caminho, mas caminhando convosco. Sabemos que o caminho cristão não é um exercício de perfeição; é um caminho de Páscoa”, salientou.

D. José Cordeiro, arcebispo de Braga, D. Delfim Gomes e D. Nélio Pita, bispos auxiliares, alertam que “uma fé que não muda a vida concreta acaba por se tornar apenas num hábito religioso, que já não liberta nem salva”.

Os autores da mensagem, intitulada “Jardim da Esperança – Acolher a Fecundidade na Fragilidade”, fazem referência ao facto de às vezes a terra estar seca, cheia de pedras e espinhos, no entanto “é precisamente aí”, na “humanidade real e não idealizada, que a semente de Deus cai e quer germinar”.

“Deus não espera que sejamos fortes. Espera apenas que nos deixemos cuidar por Ele. Viver em Cristo é permitir que a Sua Graça entre em nós e transforme a terra barrenta e seca que somos em jardim florido, habitado por aquela esperança que o deserto não consegue impedir de nascer. O deserto floresce na alegria da esperança”, sublinhou.

Para esta caminhada, o arcebispo e bispos auxiliares de Braga propõem o Sacramento da Reconciliação (confissão), apelando às comunidades e aos presbíteros para que o preparem com “especial solicitude”.

A Reconciliação não é um tribunal de sombras, mas o cuidado do jardineiro que cuida a terra para que floresça. Confessar a ternura de um Deus, que não é senão amor, diante das nossas fragilidades é um ato libertador que fecunda a vida”, assinalam, desejando que esta seja “um acontecimento de profundo encontro e beleza”.

Tendo em vista a realização desta penitência, D. José Cordeiro, D. Delfim Gomes e D. Nélio Pita pedem que sejam tidos em conta o espaço, o acolhimento e a celebração.

“Semeemos esperança onde as pessoas apenas veem deserto. Ajudemos cada penitente a fazer caminho de Páscoa”, expressaram.

Sendo a Quaresma um tempo para ser “ativo e criativo” para levar Jesus a todos e todos a Jesus, a mensagem elenca ações pessoais e comunitárias concretas”, como “o jejum (menos ecrã, menos ruído, menos agressividade), a oração (cinco minutos reais por dia, não ideais) e esmola (um gesto concreto, uma pessoa, uma causa)”.

Desta forma, este ano, o contributo penitencial vai ser dividido em três partes, sendo uma delas (40% do valor) destinada ao “Fundo Partilhar com Esperança, serviço de ação social instituído pela Arquidiocese de Braga para ajudar todos os que são atingidos por qualquer forma de pobreza, exclusão social ou emergência”.

Do montante adquirido, outros 30% terão como finalidade o apoio “às obras de recuperação/requalificação, desenvolvidas pela Cáritas Arquidiocesana, de um edifício que servirá como casa de acolhimento de mulheres e crianças/jovens vítimas de violência doméstica”.

Por fim, os restantes 30% serão enviados “à Arquidiocese de Rabat, em Marrocos, para desenvolvimento de programas de apoio psicológico e psiquiátrico às pessoas que sofrem de perturbações de ansiedade, depressão e stress pós-traumático como consequência dos terramotos que afetaram aquela região em 2023”.

No final da mensagem, o arcebispo e bispos auxiliares de Braga enfatizam que “o deserto é passagem; o jardim pascal é a meta”, acreditando que “a fragilidade trabalhada pela graça produz flores de ressurreição”.

Caminhemos juntos. Não como quem já chegou, mas como quem se deixa transformar. Que a nossa fragilidade, entregue ao Senhor, se torne no terreno mais fecundo da nossa Arquidiocese. A Páscoa já estará a florir em nós!”, concluem.

LJ/OC

Este ano, as comunidades da Arquidiocese de Braga são convidadas a prosseguir a proposta litúrgica e pastoral “Jardim da Esperança”, sob o mote “acolher a fecundidade na fragilidade”.

O documento é publicado sob a responsabilidade do Departamento de Pastoral Litúrgica da Comissão Arquidiocesana de Liturgia e Espiritualidade e inspirado na mensagem dos bispos para este tempo litúrgico.

“Neste itinerário, valorizaremos a imagem do vaso com terra, que será apresentado na Quarta-feira de Cinzas, celebração com a qual se inicia a Quaresma”, explica a Arquidiocese de Braga.

Em cada domingo, a proposta é que seja “trabalhada uma atitude de cuidado com a terra, a humanidade”, uma atitude que expressar-se-á com um símbolo próprio, associado ao cuidado da terra.

“Além disso e como sinal do ‘serviço e acolhimento a todos’, que nos é indicado no Plano Pastoral, queremos, neste tempo tornar manifesto o ministério dos acólitos e do acolhimento, sobretudo na procissão de entrada e na apresentação dos dons”, realça a Arquidiocese.

Apesar de se destinar a ser realizada na Igreja, esta dinâmica pode ser inspiradora para todas as realidades onde a Igreja se insere, como famílias, grupos de catequese e de jovens, movimentos de apostolado, escolas, hospitais, prisões, instituições de solidariedade social, as associações de fiéis ou civis.

“Isto demonstrará que efetivamente todos, nestes ambientes ou noutros, estamos juntos a percorrer o mesmo caminho, o qual despertará mais esperança n’Aquele que é a nossa Esperança, para tornar a Igreja um verdadeiro ‘Jardim da Esperança’”, refere a Arquidiocese.

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