CONMECE expressou «solidariedade e proximidade espiritual» com esta população do ártico

Bruxelas, 04 fev 2026 (Ecclesia) – A Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE) afirmou que “o futuro da Gronelândia deve ser decidido pelo próprio povo”, quando esta região semiautónoma da Dinamarca “enfrenta uma crescente instabilidade e incerteza geopolítica”.
“Reafirmamos que o futuro da Gronelândia deve ser decidido pelo próprio povo da Gronelândia, em pleno respeito pelos seus direitos, pela sua dignidade e pelas suas aspirações”, lê-se numa declaração do Comité Permanente da COMECE, desta terça-feira, enviada à Agência ECCLESIA.
A Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia sublinha a importância de “defender o Direito Internacional, os princípios da Carta das Nações Unidas e a integridade territorial do Reino da Dinamarca.”
A Gronelândia é uma região semiautónoma da Dinamarca, o presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, disse que gostaria de fazer um acordo para adquirir este território para evitar que a Rússia ou a China a tomem.
O Comité Permanente da COMECE expressou a sua “solidariedade e proximidade espiritual” para com o povo da Gronelândia, que “enfrenta uma crescente instabilidade e incerteza geopolítica”, para além das “profundas consequências” das alterações climáticas e dos persistentes desafios sociais.
Quase 90% dos 57 mil habitantes da Gronelândia são da etnia inuíte gronelandesa e mais de 95% da população pertence à Igreja nacional dinamarquesa, conhecida como Igreja Evangélica Luterana da Dinamarca.
O organismo episcopal da União Europeia alertam para a crise do sistema multilateral citando o discurso do Papa Leão XIV ao corpo diplomático acreditado na Santa Sé, reunido no Vaticano para a troca de votos de Ano Novo.
“Neste nosso tempo, preocupa particularmente a fragilidade do multilateralismo no plano internacional. Uma diplomacia que promove o diálogo e procura o consenso de todos está a ser substituída por uma diplomacia da força, de indivíduos ou de grupos de aliados”, disse Leão XIV, a embaixadores de mais de 180 Estados, incluindo Portugal, no dia 9 de janeiro.
A Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia destaca que estas palavras do Papa “ecoam profundamente” no atual clima internacional, e apelam a “um compromisso renovado com abordagens pacíficas e cooperação perante os desafios globais”.
Na declaração, o comité permanente da COMECE encoraja também a União Europeia a “continuar a agir como uma força unida, responsável, firme e geradora de confiança”, mantendo-se fiel aos seus valores fundamentais e empenhada em “defender um sistema internacional baseado em regras e num multilateralismo eficaz”.
Esta não foi a primeira vez que este organismo episcopal da Europa se envolve em questões relacionadas com a região do Ártico, em 2020, a COMECE contribuiu para a consulta pública da União Europeia sobre “a futura política da UE para o Ártico”, destacando a responsabilidade da UE em “promover um Ártico sustentável e pacífico, que coloque as suas populações no centro”.

A direção da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia tem como presidente D. Mariano Crociata, bispo italiano, e quatro vice-presidentes: D. Antoine Hérouard (França), D. Rimantas Norvila (Lituânia), D. Czeslaw Kozon (Dinamarca), e o bispo do Funchal, D. Nuno Brás, o delegado da Conferência Episcopal Portuguesa na COMECE desde 2020.
CB/OC
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