António Abel Canavarro apresenta iniciativa com o tema «Novos rumos da política. Configuração cristã da vida pública»
Lisboa, 03 fev 2025 (Ecclesia) – O professor António Abel Canavarro, coordenador das Jornadas de Teologia 2026 da Universidade Católica Portuguesa (UCP) no Porto, que se prolongam até quinta-feira, afirmou que esta iniciativa procura ser o diálogo da Igreja com o mundo.
“Procuramos apresentar também uma nova forma de ser cristão, não um cristão que se confina à Igreja, mas um cristão que vive a sua vida empenhado na construção de uma sociedade mais justa, mais fraterna, mais solidária”, disse o docente, em entrevista ao Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2.
Em colaboração com a Diocese do Porto e a Irmandade dos Clérigos, a Faculdade de Teologia naquela cidade está a organizar, desde segunda-feira, no campus da UCP, estas jornadas com o lema “Novos rumos da política. Configuração cristã da vida pública”.
O docente explica que a escolha do tema se relaciona com as fraturas que se vivem atualmente com “algumas ideologias” que se pensava que “já estavam ultrapassadas”, bem como da necessidade de os cristãos saberem como se situam.
“E não é fugindo, mas é refletindo, e não é procurando só aquilo que é a sensibilidade e as tendências humanas, mas também aquilo que a tradição da Igreja nos diz”, indicou.
Abel Navarro aponta que o objetivo é ter “cristãos mais conscientes da sua própria fé que a traduzem também num estilo de vida concreto”.
“Nós vemos a facilidade que é muitas vezes sermos cristãos confinados a uma comunidade, a uma igreja”, referiu, acrescentando que a dificuldade é “fazer vir ao de cima os valores cristãos” no dia a dia, nomeadamente no emprego.
“E aquilo que eu digo muitas vezes é que um cristianismo que não nos leve a ser mais humanos, pois também não é um autêntico, podemos dizer, cristianismo”, assinalou.
Sobre a organização das Jornadas de Teologia 2026 e as entidades envolvidas, o professor destaca que há uma “ligação muito estreita com a própria Diocese e com a Irmandade dos Clérigos”, o que ajuda não só na “divulgação”, como também no “suporte económico” da iniciativa.
“[É também uma] forma de abrirmos, de não ficarmos meramente confinados ao ambiente académico, mas de procurarmos que elas [jornadas] sejam participadas”, conta.
O docente realça que quanto melhor fora formação dos cristãos, “também mais consistente será o testemunho da Igreja na sociedade e no mundo”.
Sobre o perfil dos alunos do Curso de Teologia na UCP, o professor António Abel Canavarro indica que a maioria são de diocese e de congregações religiosas, “que têm como finalidade a ordenação sacerdotal, portanto o ministério”.
“Temos também leigos que estão a frequentar e até pessoas que já estão reformadas, mas que vêm e que ajudam e que querem aprender e que, de alguma forma, também são importantes para o confronto dos teólogos”, explicou.
No que respeita ao Curso de Ciências Religiosas, o membro da direção da Faculdade de Teologia da UCP do Porto dá conta que este tem uma formação específica para “aqueles que querem enveredar pelo ensino de Educação Moral e Religiosa Católica”.
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