Igreja/Sociedade: Institutos Seculares vivem uma consagração como «todas as pessoas», da família ao trabalho, e na comunidade

«Continuar no mundo do trabalho, das relações, sem nada que nos distinga, isso foi a motivação mais forte para optar por um instituto secular» – Maria do Rosário Virgílio

Logo: Conferência Nacional dos Institutos Seculares de Portugal (CNISP)

Lisboa, 02 fev 2026 (Ecclesia) – Conceição Vieira, Maria do Rosário Virgílio e José Carlos Coelho são, respetivamente, presidente, vice-presidente e tesoureiro da direção da Conferência Nacional dos Institutos Seculares de Portugal (CNISP), e vivem a sua consagrada  em vários contextos sociais e profissionais.

“O Instituto Secular distingue-se das congregações religiosas porque a consagração é vivida no comum dos mortais de todas as pessoas, através das profissões, ou família, numa empresa, e, portanto, aquilo que é obrigatório para a vida religiosa, que é a vida comum canónica e o testemunho em comunidade, para nós vivem essa consagração por si”, explicou Conceição Vieira, presidente da CNISP, esta segunda-feira, à Agência ECCLESIA.

A entrevistada, do Instituto Secular Cooperadoras da Família, sublinha que os membros dos Institutos Seculares de Portugal “embora ligadas a um instituto, que tem um carisma”, vivem “sem se retirar da realidade normal do seu trabalho, da sua vida, do quotidiano”, e estão “no mundo, mas no sentido de uma pertença total a Deus, pela consagração”.

“Continuar no mundo do trabalho, das relações, sem nada que nos distinga, isso foi a motivação mais forte para optar por um instituto secular. É uma paixão. A secularidade consagrada na minha vida é mesmo uma paixão, porque eu creio que, no hoje da história, Deus conta comigo, conta connosco, para estarmos aí para transformar a realidade, não com bagagem de pregadoras, mas com o testemunho de vida”, acrescentou Maria do Rosário Virgílio, do Instituto Secular Servas do Apostolado, e vice-presidente da Conferência Nacional dos Institutos Seculares de Portugal.

O tesoureiro da CNISP, José Carlos Coelho, pertence ao Instituto Secular Masculino do Coração de Jesus e conta que se “apaixonou” quando percebeu que “havia um lugar que podia ser um coração unificado, um coração transformado por Jesus”, e viver essa consagração “tocando as coisas do mundo”, sem sair da sua realidade, onde vive com a família, e na sua “profissão, uma IPSS, com várias respostas sociais”.

Os Institutos Seculares foram aprovados oficialmente pela constituição apostólica ‘Provida Mater Ecclesia’, que celebra hoje 80 anos, foi publicado no dia 2 de fevereiro de 1947; com este documento o Papa Pio XII instituiu esta forma de viver o catolicismo com características únicas, que implicam uma consagração e também a inserção em atividades sociais e profissionais.

Os Institutos Seculares no mundo são 184 institutos e estão implementados nos cinco continentes, com cerca de 32.500 pessoas; em Portugal existem 14 Institutos Seculares que têm cerca de 400 membros, e estão reunidos na CNISP, que é um organismo de ligação entre os diversos Institutos Seculares quer de direito pontifício quer de direito diocesano, eretos ou estabelecidos canonicamente em Portugal.

Foto: CNISP; José Carlos Coelho, Maria da Conceição Vieira e Rosário Virgílio (esq-dta)

Os três entrevistados do Programa ECCLESIA desta segunda-feira, dia 2 de fevereiro, transmitido na RTP2, foram eleitos para a direção da CNISP para um mandato de quatro anos, que vai ser dinamizado no contexto das oito décadas da constituição apostólica ‘Provida Mater Ecclesia’; a “passagem de testemunho” da direção cessante realizou-se a 18 de outubro de 2025, em Coimbra.

A Conferência dos Institutos Seculares de Portugal vai realizar um encontro nacional, com o tema ‘No mundo sem ser do mundo, a consagração como profecia’, este sábado e domingo, dias 7 e 8 de fevereiro, na casa de retiros do Instituto Secular Cooperadoras da Família, em Fátima.

A Igreja Católica celebra hoje, dia 2 de fevereiro, o 30º Dia Mundial da Vida Consagrada, na festa litúrgica da Apresentação de Jesus no Templo, data instituído pelo Papa João Paulo II, em 1997.

PR/CB/OC

O Instituto Secular Cooperadoras da Família (ISCF), que nasceu em Portugal em 1933, tem como “missão o cuidado da família”, e com têm obras sociais próprias – Obra de Santa Zita, Centro de Cooperação Familiar, e a Escola Profissional Monsenhor Alves Brás -, Conceição Vieira assinala que têm a particularidade de ter membros que vivem em comunidade, e outros que “não estão em grupo, e vivem na sua profissão e no trabalho”.

Já o Instituto Secular Missionário Servas do Apostolado (ISA) não tem “uma diferença específica”, é inspirado pela passagem bíblica do Evangelho de São Marcos 10.45; fundado por Maria Isabel Henriques Marques Matias, teve a sua aprovação em 1952, pelo então arcebispo-bispo de Coimbra, D. Ernesto Sena de Oliveira, têm vindo a fazer um caminho de afirmação da “secularidade no próprio Instituto, onde até as idosas estão em lares”.

Maria do Rosário Virgílio explica que o seu carisma “é o espírito de serviço apostólico e missionário”, e cada membro procura estar na Igreja e sobretudo no mundo “como testemunha de uma fé que não é reduzida a momentos, mas que é uma entrega diária pela santificação dos sacerdotes, pela salvação da humanidade”, e os sinais dos tempos são “uma fonte de inspiração”.

O Instituto Secular Masculino do Coração de Jesus / Famille Cor Unum (ISMCJ), de inspiração inaciana (Santo Inácio de Loyola), foi fundado a 18 de agosto de 2008, em Paris, a capital francesa, os membros tem “várias áreas profissionais”, e José Carlos Coelho adianta que estão “em Portugal, em França, um grupo muito animado no Vietname”.

 

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