«Não vinha preparado para ver uma coisa tão pesada», descreve o voluntário, que se mostrou sensibilizado por ver a mobilização de todo o país

Leria, 02 fev 2026 (Ecclesia) – Vasco Alves é um dos rostos da solidariedade originada após a tempestade Kristin atingir Portugal, tendo conduzido desde Felgueiras, no Porto, até Leiria uma carrinha com vários materiais e bens, entregues este sábado num dos pontos de recolha promovidos pela Cáritas.
“Tenho muitos amigos aqui nesta zona envolvente, trouxemos um gerador, trouxemos combustíveis, trouxemos um motosserra, vínhamos preparados para ajudar”, contou, em declarações à Agência ECCLESIA, junto ao Centro Logístico dos Pousos.
No veículo vieram também lonas e água, descreve Vasco Alves, que acrescenta que só “não deu para trazer mais porque a carrinha é pequena”.
“De facto, Leiria está mobilizada, o país está mobilizado, vou daqui com um brilhozinho nos olhos”, assinala o voluntário, que diz que “não vinha preparado para ver uma coisa tão pesada”.

“Fiquei a perceber que é preciso telhas, cimentos, madeiras, vassouras e uma série de coisas que dará jeito, decerto trouxe pouco, mas trouxe do coração e quando as coisas vêm com o coração, Deus lá está para nos compensar com o resto”, salientou.
A Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima lançou uma campanha de ajuda às vítimas da tempestade Kristin em Portugal, que visa recolher bens essenciais e materiais para distribuição imediata e que podem ser entregues na sede da instituição; além disso, criou um Fundo de Emergência Social Diocesano, que já angariou um valor superior a 500 mil euros.
Vasco Alves destaca que Portugal tem “um povo muito hospitaleiro” e assume que gostava de não regressar brevemente a Leiria, já que era sinal que a situação tinha evoluído favoravelmente.
“Mas se tiver de cá voltar ainda cá volto”, garante.
O centro Logístico dos Pousos foi este sábado um dos pontos de passagem de muitas famílias que viram as estruturas das suas casas serem afetadas pela passagem da tempestade, procurando lonas.
Adélia Rodrigues é um desses casos, revelando os danos que o mau tempo provocou na habitação onde reside.
Foi um evento horrível, ninguém estava à espera que a tempestade Kristin fosse tão destruidora. Durante a noite o barulho era…, parecia que ia arrebentar a casa toda, só se ouvia as telhas a cair no chão, os bocados de cimento a cair no chão”, descreve.
Além da estrutura da casa, o quintal de Adélia também sofreu consequências, com árvores que foram “arrancadas com a força do vento”.
“Entretanto, os campos em frente, que já estavam alagados, começaram a descer para a minha casa, e para os terrenos do nosso lado, ficou tudo inundado”, relatou.
Apesar de já ter água em casa, mas continuar sem eletricidade, Adélia realça que o pior foram as deslocações que teve que realizar na quinta-feira com o perigo de inundações.
“Os meus vizinhos têm quintal como o meu que inundou, sei lá, um metro e meio, portanto, destruiu montes de coisas, matou animais. E depois nós sentimos que a água podia entrar em casa, e não podíamos estar em casa”, refere.
Também Fernando Lisboa esteve na fila para obter materiais para a cobertura da casa, que não escapou ao temporal.
Eu acho que não há palavras para descrever. Não sou capaz. Tenho a casa completamente destruída, a ver se consigo safar aqui uma lona”, indicou.

Uma das casas vizinhas na aldeia, de construção moderna, “está inabitável”, explica Fernando Lisboa.
“Tem que ir tudo para o lixo […] Eu já tenho o chão a levantar, a madeira, não sei o que fazer, não sei o que diga, nem sei o que fazer”, lamentou.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos nove mortes, desde então, vários feridos e desalojados.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade, que foi prolongada este domingo, após uma reunião do Conselho de Ministros, até ao dia 8 de fevereiro.
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