Igreja/Sociedade: «Fomos feitos para o anúncio», destacou patriarca de Lisboa, no encerramento da Visita Pastoral a Oeiras

«Aquilo que parece irrelevante segundo os critérios do mundo torna-se decisivo segundo os critérios de Deus. E é aí que se encontram os verdadeiros recursos da Igreja» – D. Rui Valério

Foto: Patriarcado de Lisboa/Diogo Paiva Brandão

Oeiras, 02 fev 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa destacou que foram “feitos para o anúncio”, e afirmou que as comunidades são chamadas a ser “espaços de presença”, no encerramento da Visita Pastoral à Vigararia de Oeiras, este domingo, dia 1 de fevereiro.

“Não o esqueçamos: fomos feitos para o anúncio. O encerramento desta Visita Pastoral não é um ponto final; é um envio. Ser evangelizador nesta Vigararia é testemunhar que o centro da vida não é o «eu», mas o «Tu» de Deus e o «nós» dos irmãos”, disse D. Rui Valério, na homilia da Missa que presidiu no Pavilhão Celorico Moreira, em Miraflores.

O patriarca de Lisboa incentivou as comunidades da Vigararia de Oeiras a irem e a deixarem que “a luz das Bem-aventuranças transfigure o rosto de cada paróquia, de cada família, de cada rua”, porque é em Cristo – “e só n’Ele” – que são “verdadeiramente ricos na pobreza e fortes na fraqueza”.

“Também hoje dizemos às populações desta Vigararia: bem-aventurados sois vós que recebestes o dom da fé e da presença da Igreja. A verdadeira riqueza de uma comunidade não está apenas nas suas estruturas, nos seus recursos ou na sua eficiência, mas na proximidade de quem encarna o Cristo vivo no meio do povo”, acrescentou, salientando que as comunidades católicas “são chamadas a ser, antes de tudo, espaços de presença”.

A partir das leituras deste domingo, proclamadas nas Missas, o patriarca de Lisboa destacou de São Paulo que «Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo para confundir os sábios; escolheu o que é fraco para confundir o forte», e é “a sabedoria dos verdadeiros bem-aventurados”.

“Aquilo que parece irrelevante segundo os critérios do mundo torna-se decisivo segundo os critérios de Deus. E é aí que se encontram os verdadeiros recursos da Igreja”, realçou.

Segundo D. Rui Valério, “a Igreja torna-se irrelevante” onde falta a coragem de “ir além da normalidade que a sociedade promove”, e explicou que a “pergunta decisiva” é “como encarnar hoje esta sabedoria do amor na vida pastoral”, a resposta passa por “assumir as prioridades do próprio Deus”.

“Permiti que o diga com clareza: precisamos de abraçar o «imperativo da inutilidade» – perder tempo para escutar, acolher, acompanhar, simplesmente estar com quem nada tem para nos dar em troca. Ser «inútil» para o mercado é ser essencial para o Reino. O primado não está no ter nem no fazer, mas no dar e no receber. Somos, por natureza, destinatários do dom”, desenvolveu.

O patriarca de Lisboa da primeira leitura, da Profecia de Sofonias, explicou que “só a humildade ativa o desejo de procurar Deus; só a humildade nos põe a caminho do encontro com Ele e com os irmãos”.

Na homilia de encerramento da Visita Pastoral à Vigararia de Oeiras, D. Rui Valério referiu-se também à sinodalidade que são “sempre chamados a incrementar, percorre toda a vida da Igreja”, e exemplificou: “a liturgia, onde ninguém celebra sozinho; a fé, que é sempre recebida de outros; a caridade, que nunca é um gesto individualista; e a missão, que é sempre eclesial”.

“Onde a Igreja é verdadeiramente Igreja, aí existe uma dinâmica sinodal, mesmo que nem sempre explicitada ou tematizada”, acrescentou, tendo citado o Papa Leão XIV que disse que «a sinodalidade é um estilo, uma atitude que nos ajuda a ser Igreja, promovendo autênticas experiências de participação e de comunhão».

A visita pastoral à Vigararia de Oeiras teve como lema ‘Oeiras em Missão: Escutamos a Vida, Anunciamos a Luz’, entre 17 de novembro de 2025 e este domingo, 1 de fevereiro.

CB/OC

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