Guarda: D. José Pereira pede superação de «práticas clericalistas», defendendo mentalidade de serviço nas comunidades católicas

Bispo diocesano presidiu à ordenação sacerdotal de Ricardo Bernardes

Foto: Diocese da Guarda/Francisco Barbeira

Guarda, 01 fev 2026 (Ecclesia) – O bispo da Guarda presidiu hoje à ordenação sacerdotal de Ricardo Bernardes, na Catedral diocesana, onde afastou a imagem do padre como prestador de serviços e apelou à construção de uma fraternidade evangélica.

“Não é mais possível esperar que o padre seja o funcionário do sagrado que vem à nossa terra dar-nos o serviço religioso que desejamos e a quem depois pagamos”, declarou D. José Pereira na homilia da celebração.

Dirigindo-se ao novo sacerdote, D. José Pereira definiu como prioridade para o ministério a necessidade de criar comunhão.

“Construir a fraternidade evangélica, superar práticas clericalistas de leigos e padres no modo de ser Igreja, multiplicar a alegria da vida em Cristo: eis o caminho que te espera”, indicou.

O bispo diocesano sustentou que o atual momento eclesial exige uma transformação na forma de viver a fé, que implica também os leigos, que convocou “à conversão aos critérios do Evangelho, à formação cristã, à espiritualidade e ao empenhamento pastoral”.

A reflexão partiu das leituras deste IV Domingo do Tempo Comum, com o responsável católico a apresentar as Bem-aventuranças como referência central.

“Verdadeiro programa de vida dos que procuram viver em Cristo, elas não são uma alienação do tempo presente, sofredor e amargo, na expectativa de um futuro eterno que então será feliz”, explicou o bispo da Guarda.

O presidente da celebração apresentou o sacerdote como “sacramento de Jesus, Bom Pastor”, alguém que vive pelos “amores de Deus” e pelos “mais abandonados”.

D. José Pereira sublinhou a natureza de serviço desta vocação, em detrimento da procura de bens pessoais.

“O padre é servidor do povo e os seus bens são o anúncio do Evangelho e a comunicação da graça”, precisou.

O padre é ordenado para servir na Beira Alta e na Beira Baixa, na Raia e na Serra, sem esquecer a emigração e a missão ‘fidei donum’. De igual modo, é chamado a servir nas paróquias e nas unidades pastorais, nas capelanias e nos movimentos, sem esquecer os serviços diocesanos e a presença nas escolas, associações e outros lugares onde se constrói a comunidade humana e se atende aos mais frágeis. O padre é enviado a qualquer parte em nome do Senhor.”

Foto: Diocese da Guarda/Francisco Barbeira

Ricardo Bernardes chegou a Portugal em 2019, através de D. Diamantino Prata de Carvalho, bispo emérito da Diocese da Campanha (Brasil) e natural de Manteigas.

O percurso de formação do novo padre passou pelo Seminário Maior Interdiocesano de São José, em Braga, tendo a ordenação diaconal ocorrido em junho de 2025.

No final da homilia, o bispo pediu a Ricardo Bernardes que cultive um coração acolhedor e evite a rigidez.

“Sem te tornares alfandegário da graça, cultiva um coração largo, oferecendo a cada um o que precisa e pode abraçar”, concluiu.

A celebração contou com a presença de D. Diamantino Carvalho e D. João Marcos, bispo emérito de Beja, 34 sacerdotes e 13 diáconos, informa a Diocese da Guarda.

OC

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