Participantes nas Jornadas de Formação do Clero abordam desafio de relação entre os sacerdotes e a juventude
Fátima, 30 jan 2026 (Ecclesia) – Os padres João Paulo Vaz e João Zuzarte, das Dioceses de Coimbra e de Viseu, respetivamente, assinalaram esta quinta-feira, em Fátima, a necessidade de incluir os jovens na vida da Igreja.
“É das áreas mais fundamentais e um dos maiores desafios que temos nas nossas paróquias e na Igreja no seu todo. Hoje, cada vez mais, há uma necessidade de nos sentirmos próximos, de termos um certo apreço pela própria juventude, pelos jovens”, afirmou o sacerdote da Diocese de Viseu, em declarações à Agência ECCLESIA.
Os dois participaram nas Jornadas do Clero da Diocese do Centro (Aveiro, Coimbra, Guarda, Leiria-Fátima, Portalegre-Castelo Branco e Viseu), que decorreram entre 27 e 29 de janeiro, com o tema “Conversão das relações: da comunhão à missão”.
Apesar de reconhecer a necessidade de um olhar juvenil no seio da Igreja, o padre João Paulo Vaz tem dúvidas de que os sacerdotes tenham capacidade de os acolher e perceber.

“Reconhecemos a necessidade dos jovens na vida da Igreja, reconhecemos a necessidade desta novidade que os jovens nos trazem. Se estamos capazes de ler verdadeiramente para tirar partido, essa já é outra questão”, reforçou.
Para o sacerdote da Diocese de Coimbra, “o lugar da juventude é o lugar da promessa e da esperança no mundo”.
“Sabemos que ela tem um lugar privilegiado na igreja, na sociedade. É sempre, sempre um testemunho nessa renovação das relações”, destacou.
O padre João Paulo Vaz defende que os jovens tem interesse pelo Evangelho, dando o exemplo do podcast ‘+ 365’ que dá a conhecer a Bíblia um dia de cada vez.
“Isso significa que há likes dos nossos jovens, dos nossos universitários e do mundo universitário também, de uma forma especial, sobre a vida cristã e sobre a fé”, assinalou.
O sacerdote lembrou também o projeto ‘Missão País’, que considera ser um sinal claríssimo de que os “jovens dão o seu like a Cristo e à vida cristã e ao evangelho”.
Abordando a temática do encontro, o padre João Zuzarte considera que esta geração “muitas vezes” tem “alguma dificuldade” em vincular-se e aproximar-se.
Questionado sobre se os padres necessitam de converter as relações, o sacerdote não tem dúvidas que sim.
“Renovar estas relações, torná-las próximas, sim, uma conversão das relações no sentido também de nos deixarmos crescer de uma forma integrada e de uma forma mais plena à boa maneira de Cristo”, disse.
Também o padre Rui Barnabé, da Diocese de Aveiro, esteve presente no encontro e entende que o clero precisa de ser convertido, uma vez que é parte do povo de Deus.
“As relações é que nos constroem, não são apenas as relações, mas as relações são uma parte importante daquilo que nos constrói, que nos define e que nos faz evoluir”, realçou.
LFS/LJ


