Vida Consagrada: «O futuro tem um rosto que já não é europeu», destaca o padre José Antunes, missionário do Verbo Divino

Irmã Célia Cabecinhas identifica «estigma de contactar» a Vida Consagrada, mas destaca que «não é uma doença contagiosa»

Lisboa, 30 jan 2026 (Ecclesia) – O padre José Antunes, da Congregação do Verbo Divino, e a irmã Célia Cabecinhas, das Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, identificaram desafios, a forma de chegar aos jovens, e recordaram a sua vocação, nesta Semana da Vida Consagrada 2026.

“Eu vivi nos últimos 15 anos sempre com estrangeiros, nas comunidades religiosas. É por aí que está o futuro da Vida Consagrada também, que já não é um rosto europeu. E, depois, isso traz muitos desafios, como é que nós podemos viver juntos, rezar juntos, trabalhar juntos, com gente de língua diferente, de cultura diferente”, disse o padre José Antunes, esta sexta-feira, no Programa ECCLESIA, na RTP2.

O missionário português, que esteve no governo-geral da Congregação do Verbo Divino, explica que esse serviço de coordenação “foi também um grande privilégio e uma grande bênção de Deus” porque permitiu-lhe “aprender imenso com a vitalidade das Igrejas”, que estão sobretudo na África ou na Ásia, e “aprender que o futuro da vida consagrada tem um rosto que já não é europeu”.

“Isso é um dos grandes sinais proféticos da Vida Consagrada, um profeta não adivinha o futuro, mas antecipa-o. Eu acho que o futuro de Deus é um futuro onde há esta comunhão, esta comunidade intercultural, e, ao mesmo tempo, onde este ideal de Cristo, casto, pobre e obediente, será expressão e sinal do Reino de Deus. Portanto, a vida consagrada não adivinha, mas eu penso que antecipa este sinal de um futuro diferente”, desenvolveu o padre José Antunes.

A irmã Célia Cabecinhas, da Congregação das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, afirma que “Deus tem a responsabilidade maior” e os consagrados têm a “fidelidade”, em tornar a vida consagrada atrativa para os jovens de hoje.

“Eu acho que o abrirmos as portas e proporcionarmos aos jovens sentirem-nos, verem-nos, caminharem connosco, conhecerem o nosso tipo de vida, sem preconceitos de o apresentarmos, também provoca o não preconceito de se aproximarem. Há um bocadinho este estigma de contactar connosco ser contaminado, mas isso não acontece, não é assim uma doença contagiosa. Mas o contágio, na verdade, acontece, comigo, e eu penso que a história de quase todos nós, Deus fala por meio de pessoas”, desenvolveu a superiora-geral da congregação religiosa portuguesa.

“Foi o testemunho das minhas irmãs, a entrega das minhas irmãs, a fidelidade, o amor das irmãs para com os pobres, que me provocou. Foi essa a via que Deus usou para me provocar. O que nós fazemos é muito importante, na verdade, é a expressão da palavra de Deus nalgum aspeto.”

O padre José Antunes concorda “plenamente”, e salienta que se há “menos candidatos à vida consagrada”, hoje em dia, em algumas regiões do globo, “isso é um problema de Deus”, que faz a sua parte, e os religiosos fazem a sua que é estarem “próximos”, porque o seu “amor às pessoas é que vai fazer que as pessoas se convertam ou se aproximem da vida consagrada, ou da vida sacerdotal, ou até da Igreja”.

‘Consagrados para amar e servir’, é o lema da Semana da Vida Consagrada 2026, entre 26 de janeiro e o dia 2 de fevereiro.

A irmã Célia Cabecinhas recordou que “num dado momento” fascinou-se pela vida consagrada, “depois de ter feito um retiro e no confronto com a Palavra e decorrente desse encontro, em oração”, e de ter-se “encontrado com testemunho de Irmãs Concepcionistas que serviam com alegria”, que foi “uma experiência muito dolorosa ao ver como as irmãs serviam num contexto de lar”.

“Depois dessa experiência dolorosa, e de não conformidade, de não encaixamento, houve um processo interior que me fez desejar amar, servir com grande paixão, e daí dei alguns passos nesse sentido, com muita confusão dos meus pais, sem entender e sem aceitar muito bem, do lado da minha mãe, mas foi um caminho”, acrescentou a Congregação das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres.

O padre José Antunes também “não foi de um dia para o outro”, que descobriu a sua vocação, “foi todo um processo de discernimento ao longo da adolescência e da juventude”, sobretudo a partir do exemplo de outros missionários da Congregação do Verbo Divino, que o levaram a “optar por esse caminho de dedicação e de serviço”, sobretudo àqueles que estão longe ou que estão nas periferias.

No Programa ECCLESIA, desta sexta-feira, 30 de janeiro, transmitido na RTP2, os dois consagrados também comentaram a liturgia do próximo domingo, as leituras do IV Domingo do Tempo Comum que vão ser lidas nas Missas, nomeadamente a passagem do Evangelho de São Mateus sobre as Bem-Aventuranças, que o padre José Antunes comparouao discurso de um primeiro-ministro, quando toma posse”, porque “é uma espécie de programa de governo”.

Na Igreja Católica, a Vida Consagrada é constituída por homens e mulheres que se comprometeram, pública e oficialmente, a viver (individualmente ou em comunidade) os votos de pobreza, castidade e obediência para toda a vida.

O Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica da Santa Sé enviou uma carta aos religiosos do mundo, classificando a sua missão como uma “profecia da presença”, na antecipação do 30º Dia Mundial da Vida Consagrada, que se celebra na próxima segunda-feira, 2 de fevereiro.

As celebrações do Dia Mundial da Vida Consagrada culminam na segunda-feira com uma Missa presidida pelo Papa Leão XIV, na Basílica de São Pedro, às 17h00 (16h00 em Lisboa);

Leão XIV, o cardeal norte-americano Robert Prevost, é o primeiro pontífice da Ordem de Santo Agostinho (Osa/agostinianos), da qual foi responsável mundial, foi missionário e bispo no Peru.

HM/CB

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