D. José Pereira (Guarda), D. Pedro Fernandes (Portalegre-Castelo Branco) e D. António Luciano (Viseu) participaram nas Jornadas de Formação do Clero, em Fátima

Fátima, 30 jan 2026 (Ecclesia) – Os bispos das Dioceses da Guarda, Portalegre-Castelo-Branco e Viseu valorizaram, esta quinta-feira, em Fátima, o diálogo intergeracional entre o episcopado e a importância da conversão das relações.
“Uma coisa que o Papa Francisco tanto chamava a atenção era a capacidade de fazermos relação entre as várias gerações, os mais idosos têm a sua riqueza, os mais novos trazem também a sua riqueza e aprendemos uns com os outros e crescemos uns com os outros”, afirmou D. José Pereira, bispo da Guarda, em declarações à Agência ECCLESIA.
As Jornadas do Clero da Diocese do Centro, que chegaram ao fim esta quinta-feira, reuniram participantes das seis dioceses (Aveiro, Coimbra, Guarda, Leiria-Fátima, Portalegre-Castelo Branco e Viseu), incluindo os bispos.
D. José Pereira considera “fundamental” o diálogo intergeracional, salientando que cada pessoa traz consigo a cultura de onde vem e a formação que recebeu.
“Além do património genético e biológico, há também o património educacional e cultural onde cada um de nós cresceu e que nos faz também ver e ler as coisas com acentuações diferentes e depois em conjunto procurarmos os caminhos do evangelho”, referiu.

Por sua vez, o bispo de Viseu usou a imagem de uma ponte para explicar como se realiza a interação entre diferentes idades.
“O patamar da ponte só é um espaço de passagem se os dois pilares estiverem sólidos, firmes, se contribuírem para a criatividade da comunidade para que a missão aconteça, por isso este diálogo intergeracional é muito importante e ao mesmo tempo temos que o favorecer, porque é a vivência da família, a naturalidade da família é esta relação intergeracional”, indicou.
Nas Jornadas do Clero da Diocese do Centro estiveram presentes “padres jovens” e também “mais idosos”, mencionou D. António Luciano, que considera que tal representa a “Igreja reunida”, onde “todos têm lugar”.
‘Conversão das relações: da comunhão à missão’ foi o tema do encontro que reuniu o clero das Dioceses do Centro e que os bispos das Dioceses do Centro sublinharam a sua importância.
“Não é por sermos ministros que deixamos de ser pessoas e a questão da relação humana é uma questão estruturante da vida saudável de cada um”, assinalou D. José Pereira.

“A questão das relações e da conversão das relações cada vez mais, segundo o Evangelho, são questões essenciais do modo de servir na igreja e o mundo hoje”, acrescentou.
O bispo de Portalegre-Castelo Branco, D. Pedro Fernandes, destacou a necessidade de “rever padrões” e de valorizar um “novo paradigma das relações de todos com todos, em que a Igreja se assuma como sujeito da sua história, da sua ação”.
Para o responsável católico, “caminhar em conjunto significa também assumir em conjunto a busca do que Deus quer nesses processos de discernimento e portanto também as conclusões finais que levam à decisão e à ação”.
Questionado sobre se os ministros também conseguem aprender uns com os outros, o bispo de Portalegre-Castelo Branco advertiu que “há conceções piramidais clericais” que os impedem “de ser mais ágeis e mais audíveis na missão”.
“Mas também é verdade que todos nós estamos, penso eu, verdadeiramente empenhados em rever essas nossas posições e a nos irmos convertendo ao que o Espírito Santo nos vai mostrando hoje como os caminhos de vida, de comunhão, de sinodalidade, de caminho em conjunto, de missão”, disse.

Ordenado bispo a 16 de novembro de 2025, D. Pedro Fernandes deu, em declarações à Agência ECCLESIA, que os diocesanos estão “cheios de esperança” e que tem estado “a tentar receber isso delas”.
“Eu acho que é na medida em que nós nos vamos abrindo aos sinais de esperança que já encontramos nos lugares onde somos enviados, que nós próprios nos vamos tornando também portadores dessa esperança, enriquecendo, potenciando as sinergias que se vão criando nesse diálogo”, relatou.
LFS/LJ
