No encerramento do Seminário de Formação Permanente do Clero, patriarca defendeu a necessidade urgente de «humanizar a máquina»

Lisboa, 29 jan 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, alertou hoje para o perigo de a humanidade se tornar um “reflexo” da mentalidade da Inteligência Artificial (IA) e pediu ao clero que resista à lógica do rendimento imediato na ação pastoral.
“A verdadeira questão não é que ela [IA] venha substituir o humano, mas até que ponto é que o humano não está a ser o prolongamento, uma imagem, o reflexo da mentalidade da IA, da técnica”, afirmou o patriarca no final Seminário de Formação Permanente do Clero, que decorreu entre 27 e 29 de janeiro no Seminário dos Olivais.
Segundo nota divulgada hoje pelo Patriarcado de Lisboa, D. Rui Valério sublinhou que a técnica e a IA não são apenas ferramentas, mas portadoras de uma “mentalidade” baseada na maximização de resultados.
“É o máximo rendimento, é o máximo de fins com o mínimo do uso de meios. E isso é uma mentalidade”, explicou, lançando um apelo à inversão desta rota: “humanizarmos a máquina e não sermos nós tomados por ela”.


O patriarca advertiu que os próprios agentes pastorais podem cair na “armadilha” da eficiência e da produtividade.
“Por vezes, sem querer, nós estamos a cair na mesma armadilha dessa tal mentalidade, da eficiência, de produzir mais com menor esforço, de dar logo respostas”, observou, pedindo, em contrapartida, uma “homenagem àquilo que é o ser humano” e à sua fragilidade.
O seminário, dedicado à Doutrina Social da Igreja, contou com a intervenção do padre Paolo Benanti, especialista em ética da IA, e abordou temas como a família, o trabalho, a economia e os migrantes.
D. Rui Valério encerrou as jornadas evocando a identidade profética do clero num mundo marcado pela indiferença e pela guerra.
“Nunca nos esqueçamos de que o humano foi a estrada que o próprio Filho de Deus escolheu e percorreu para vir até nós”, concluiu, reafirmando a centralidade da pessoa humana na missão da Igreja de Lisboa.
OC
