UCP: Curso de Medicina assume objetivo de combater clima de «desentusiasmo» dos profissionais e promover proximidade aos doentes

António Medina de Almeida sublinha que o projeto educativo se foca na «paixão» pela profissão e na formação humana dos futuros médicos

Foto Agência ECCLESIA/PR

Lisboa, 31 jan 2026 (Ecclesia) – A Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa (UCP) pretende formar profissionais que combatam o atual cenário de desânimo na saúde, privilegiando a proximidade humana aos doentes, defendeu o diretor da instituição em entrevista à Agência ECCLESIA.

“A nossa intenção ao montar esta faculdade era muito para além de dar um ensino médico tradicional, de conseguir formar profissionais entusiasmados pela medicina”, afirmou o professor António Medina de Almeida.

Segundo o diretor, um dos “grandes dramas” atuais no mundo da saúde é o “desentusiasmo que muitos médicos e enfermeiros e outros profissionais de saúde sentem pelo seu exercício profissional”.

Para contrariar esta tendência, Medina de Almeida defende que é fundamental que se incuta, “desde cedo, a paixão pela medicina”.

A medicina é verdadeiramente uma profissão apaixonante, é apaixonante naquilo que nós podemos ajudar as pessoas. Os nossos alunos cá vão aprendendo isso desde o princípio, como é que abordam, como é que aprendem competências para poder mais eficazmente chegar e ajudar as pessoas.”

Sobre o perfil dos futuros graduados – cujos primeiros alunos iniciaram o curso em 2021–, o responsável sublinha a importância da dimensão humana.

“Eu gostava de pensar que sim, que os nossos alunos vão sair com grandes capacidades de serem bons médicos, médicos próximos dos doentes e das famílias, e que verdadeiramente acompanhem os doentes ao longo da sua vida, da sua doença, da doença dos familiares”, sustenta.

Questionado sobre o impacto da entrada no mercado de trabalho, António Medina de Almeida diz não acreditar que o choque da realidade deite por terra os sonhos dos estudantes.

“Acho que todos nós sofremos choque ao entrar no mundo profissional, e a verdade é que estes alunos têm muito ensino de vida profissional e de trato profissional que os vai ajudar a aguentar bem esse choque”, acrescenta.

Relativamente às dificuldades que se vivem em Portugal, o entrevistado convida a seguir o exemplo de “muitos países em que o sistema público e privado se apoiam para alguns doentes com situações mais difíceis.

O objetivo, destaca António Medina de Almeida, é “garantir o acesso universal gratuito a todos os doentes”, evitando que os mesmos estejam “constantemente nas urgências”.

“Eu acho que esta simbiose que se vai criando vai ser muito positiva para todos, porque conseguimos distribuir e ajudar todos os doentes a terem saúde a tempos e horas”, aponta.

A faculdade, com o Campus em Sintra e o ‘Católica Biomedical Research Centre’ (CBR) enquadra-se no projeto da UCP que une o ensino da ciência e das humanidades.

O Dia Nacional da UCP celebra-se este domingo sob o mote “Por uma Diaconia da Cultura”. O magno chanceler da UCP e patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, preside a uma Missa de Ação de Graças, às 11h00, na igreja de Nossa Senhora dos Navegantes (Parque das Nações).

A sessão solene do Dia da UCP decorre na próxima sexta-feira, com a atribuição do doutoramento Honoris Causa ao designer Philippe Starck, numa cerimónia que inclui a entrega de insígnias e cartas doutorais aos novos doutores da universidade.

A entrevista a António Medina de Almeida é emitida este domingo, às 16h25, no programa ’70×7′ (RTP2).

PR/OC

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