D. João de Ceita Nazaré quer também «suscitar sentimento de apoio» na população, para «cuidar, atender e dar uma mão a essas pessoas»

Lisboa, 29 jan 2026 (Ecclesia) – O bispo de São Tomé e Príncipe está preocupado com a saúde mental no país lusófono, quer “criar um centro de acolhimento” para receber as “pessoas com demência”, mas é “uma obra muito cara” e procura de parcerias.
“Quando alguém está com esse problema são levados para o hospital e são tratados, e esses problemas permanecem. As famílias não estão preparadas para acolher essas pessoas nas suas casas, nem há um centro para acolher pessoas com demência”, disse D. João de Ceita Nazaré, de passagem por Portugal, em entrevista à Agência ECCLESIA.
Segundo o bispo de São Tomé e Príncipe, a doença mental afeta muitas pessoas que, por exemplo, “andam na rua, aqui e ali, a catar coisas no lixo para comer”, as causas para a demência são variadas, e têm “muitos casos na juventude”.
“Muitas vezes tem a ver com problemas familiares, depressão, e tem havido muitos casos desses. Nós, a Igreja, temos estado a tentar colaborar para que realmente essas pessoas sejam acolhidas, tratadas, para não estar assim na rua; a ideia é tentar suscitar nas pessoas esse sentimento de apoio para que nós pudéssemos nos unir e cuidar e atender e dar uma mão a essas pessoas”, desenvolveu.
D. João de Ceita Nazaré, que lamenta que “os próprios medicamentos são muito caros”, quer criar um projeto onde as pessoas com doença mental possam permanecer e ser acompanhadas, mas “acaba sendo uma obra muito cara”, por isso, a ideia é ter “uma coisa mínima”, algo onde possam receber essas pessoas e dar-lhes “algum cuidado”.
“Nós temos estado à procura de eventualmente parcerias, alguém que se engaje nessa temática, e tentar colaborar connosco para podermos criar um centro de acolhimento das pessoas com demência”, acrescentou o bispo são-tomense que se encontra em Portugal.
Na entrevista, D. João de Ceita Nazaré recordou também a visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima à Diocese de São Tomé e Príncipe, entre 15 de outubro e 5 de novembro de 2025.
“Foi bom, o itinerário que se fez com a imagem, passando pelas paróquias, com as crianças, com os jovens, com oração, houve, realmente, um momento bonito. As pessoas puderam rezar, puderam louvar, bem-dizer a Deus”, recordou.
‘Nossa Senhora Peregrina de Fátima, abençoe as nossas famílias!’ foi o tema desta visita, que levou a imagem mariana a percorrer as 14 paróquias desta Igreja Lusófona, segundo o bispo de São Tomé e Príncipe foi um momento da expressão pública da fé das pessoas, com várias procissões, foi uma “presença forte”.
A Diocese católica de São Tomé e Príncipe foi ereta a 3 de novembro de 1534, no arquipélago lusófono com o mesmo nome, criada a partir de áreas que foram desanexadas da diocese portuguesa do Funchal.
D. João de Ceita Nazaré explica que a Igreja Católica em São Tomé “é uma Igreja pequena, pequena em números de população”, o próprio país lusófono tem “209 mil pessoas”, mas, é “uma Igreja bastante dinâmica e ativa”, porque “a população é jovem”.
“Vamos construindo através de um conjunto de atividades, sobretudo, apostamos bastante na catequese, na família, a liturgia, a própria missão”, indicou o bispo, realçando que precisam estar próximos da população que, “às vezes, não é perseverante”.
No setor da Pastoral Social, explica o responsável diocesano, contam com a Cáritas, com a Santa Casa da Misericórdia, e, no norte, “a famosa Irmã Lúcia”, a religiosa portuguesa Lúcia Cândido que está numa Obra das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, “que acaba por assistir uma quantidade de pessoas”, na cidade de Neves, a cerca de 30 quilómetros da capital.
![]() D. João de Ceita Nazaré foi nomeado bispo de São Tomé e Príncipe, aos 50 anos de idade, pelo Papa Francisco, a 9 de janeiro de 2024; a diocese encontrava-se vacante desde julho de 2022, quando o Papa aceitou a renúncia de D. Manuel António dos Santos, religioso português que tinha sido nomeado para esta missão em 2007. O bispo são-tomense nasceu a 22 de agosto de 1973, em Trindade (São Tomé), frequentou o Seminário Maior em Lisboa; formou-se em Teologia, na Universidade Católica Portuguesa, e em Literatura Portuguesa, no Instituto Politécnico de Bragança, e foi ordenado padre a 4 de agosto de 2006, em São Tomé. |
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