EUA: Igreja Católica convoca hora de oração pela paz, após mortes em operações de agentes federais

Arcebispo de Minneapolis descreve clima de medo que afasta fiéis das igrejas e cardeal Pietro Parolin classifica violência como «inaceitável»

Foto: Lusa/EPA

Washington, 29 jan 2026 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal dos Estados Unidos (USCCB, sigla em inglês) convocou uma ‘Hora Santa pela Paz’ em todas as dioceses do país, em resposta ao clima de polarização e às recentes mortes durante operações de agentes federais de imigração.

“O atual clima de medo e polarização, que prospera quando a dignidade humana é desrespeitada, não cumpre os padrões estabelecidos por Cristo no Evangelho”, afirmou o arcebispo Paul S. Coakley, presidente da USCCB, ao convidar sacerdotes e leigos para um momento de oração e reparação.

O apelo surge após a morte de Alex Pretti e Renee Good por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em Minneapolis, incidentes que o Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, classificou como uma “violência inaceitável” que não pode ser ignorada pela comunidade internacional.

O arcebispo de Minneapolis, D. Bernard Hebda, revelou que a tensão e o envio massivo de agentes federais estão a paralisar as comunidades latinas, com uma queda drástica na frequência das Missas e crianças que deixam de ir à escola por medo de deportação.

“As imagens de prisões e violência levaram muitos migrantes, com ou sem documentos, a esconderem-se. Muitos não saem mais para trabalhar, buscar atendimento médico ou mesmo receber assistência espiritual”, relatou, em entrevista aos meios de comunicação da Santa Sé.

D. Bernard Hebda defendeu a urgência de garantir o estatuto legal daqueles que já criaram raízes e contribuem para a sociedade, apelando a uma reforma abrangente das leis de imigração que privilegie a reunificação familiar em vez da separação.

Apesar do ambiente de isolamento, a Igreja local destaca uma onda de solidariedade, com paróquias a organizar entregas de alimentos e sacerdotes a levar a comunhão a famílias confinadas em casa por receio das autoridades.

Em Roma, à margem de um encontro na Universidade LUMSA, o cardeal Parolin reforçou que “as dificuldades e as contradições se resolvem de outra forma” e não através da força, ecoando a preocupação dos bispos norte-americanos perante a estratégia da administração Trump.

OC

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