EUA: Bispo de Saint Cloud alerta para «métodos considerados violentos» do ICE

D. Patrick Neary explica que há «muita gente com raiva e medo», agentes federais procuram migrantes vulneráveis

Foto: Lusa/EPA

Saint Cloud, EUA, 28 jan 2026 (Ecclesia) – O bispo de Saint Cloud, diocese sufragânea da Arquidiocese de Saint Paul e Minneapolis nos Estados Unidos da América (EUA), alertou que o “ICE usa métodos considerados violentos”, por isso, muitas pessoas “têm medo de sair de casa, não vão trabalhar”, nem mesmo à Missa.

“O ICE está muito presente ao redor das nossas igrejas. Em alguns casos, os agentes foram bater às portas das comunidades eclesiais onde há uma alta percentagem de latinos: todos têm medo de serem presos; eles nem vão mais trabalhar e, se não ganham dinheiro, não podem pagar o aluguer, as contas. Estão realmente perturbados”, disse D. Patrick Neary, citado pela página de notícias do Vaticano na internet.

O bispo de Saint Cloud explica que estão a tentar “transmitir a missa em espanhol no YouTube” porque, nessa plataforma, “ninguém pode rastrear quem está assistir, e realça que não querem “colocar ninguém em risco por assistir à missa online”.

D. Patrick Neary já assistiu a dezenas de “operações contra a imigração irregular” realizadas pelos agentes federais da Immigration and Customs Enforcement (ICE), e alerta que “como em Minneapolis”, usam “métodos considerados violentos”, e muitos migrantes têm “medo de sair de casa e não vão trabalhar”.

“Os agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) não parecem comportar-se bem. Utilizam linguagem vulgar, são fisicamente violentos. Parece que a forma como utilizam o cassetete não está de acordo com o que se espera de forças policiais profissionais”, explicou o responsável pela diocese sufragânea da arquidiocese de Saint Paul e Minneapolis, que já esteve em missão na América latina e em África.

A cerca de 60 quilómetros de Minneapolis, a cidade de Saint Cloud tem 70 mil habitantes, e 13% das famílias são de origem somali, a maioria são migrantes, mas os seus filhos nasceram nos Estados Unidos da América, e também, foram alvo do ICE:

“Quando os polícias vieram prender alguns membros dessa comunidade, eclodiram confrontos. Recentemente, foram rotulados como pessoas que não merecem estar aqui, e que vêm de uma cultura pouco respeitável. Agora vivem realmente em um estado de extrema prostração”, desenvolveu o bispo diocesano.

D. Patrick Neary alerta que “é verdade” que os agentes do ICE podem entrar numa paróquia, escola, ou em casa sem mandado judicial, o que “representa a violação de algumas liberdades” de que desfrutam nos EUA: “acho que basta um mandado administrativo; há uma preocupação generalizada de que o Estado de direito e a ordem pública estejam se desmoronando”.

“Muitas pessoas pensam que o ICE está simplesmente a fazer o seu trabalho. Entendo que o medo do outro esteja levando aqueles que apoiam o ICE a considerar todos os imigrantes como criminosos, porque é assim que eles são definidos, mas isso é preocupante”.

O bispo de Saint Cloud acrescenta que a perseguição parece se ter concentrado nos migrantes vulneráveis que iniciaram o processo de cidadania, após terem obtido a certificação de imigração regular, e “alguns são abordados pelo ICE mesmo fora dos tribunais de imigração”.

“Se o ICE estivesse apenas à procura de pessoas que realmente cometeram crimes, não haveria nada de errado. Sabemos muito bem que os Estados Unidos têm o direito de defender suas fronteiras, mas, da mesma forma, quem foge de condições de extrema pobreza ou violência tem o direito de imigrar. É preciso encontrar um equilíbrio entre essas duas necessidades”, destacou D. Patrick Neary,que foi missionário no Chile, Quénia e Uganda na Congregação religiosa de Santa Cruz (CSC/crúzios), citado pelo ‘Vatican News’.

Os responsáveis da Igreja Católica nos Estados Unidos da América lançaram apelos à oração e à pacificação, após a morte de Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos abatido a tiro por agentes federais em Minneapolis.

CB/OC

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