Igreja/Abusos: CEP reconhece «oportunidades de melhoria» na proteção de menores, anunciando análise a propostas de continuidade do Grupo VITA

Bispos assumem que as dificuldades apontadas no relatório do organismo podem causar «dor acrescida» às vítimas

Lisboa, 27 jan 2026 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) anunciou hoje que vai analisar as propostas para a continuidade do Grupo VITA na próxima Assembleia Plenária, de 13 a 16 de abril, reconhecendo as “oportunidades de melhoria” identificadas no relatório hoje apresentado.

“Reconhecemos as oportunidades de melhoria à ação da Igreja Católica em Portugal no que se refere à Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis”, refere uma nota enviada à Agência ECCLESIA, em reação ao 4.º Relatório de Atividades da estrutura liderada por Rute Agulhas.

No documento, o organismo episcopal sublinha que as recomendações do Grupo VITA exigem “uma escuta atenta, uma reflexão séria e uma ação responsável”, reiterando que as vítimas continuam a ser o “centro” da atuação da Igreja.

“É com elas e por elas que queremos continuar um caminho de reparação, proteção e prevenção de todas as formas de violência sexual no seio da Igreja Católica em Portugal, na certeza de que os abusos sexuais sobre menores não pertencem apenas ao passado”, acrescentam os bispos.

As propostas hoje apresentadas para a “continuidade do Grupo VITA” vão ser analisadas pela Conferência Episcopal Portuguesa na Assembleia Plenária do episcopado, em Fátima, de 13 a 16 de abril.

Relativamente aos processos de compensação financeira, a nota esclarece que a comissão responsável “continua a analisar os primeiros 66 pareceres” enviados após a auscultação das vítimas pelo Grupo VITA e pelas Comissões Diocesanas, com o objetivo de apresentar propostas de valores “tão breve quanto possível”.

As Comissões Diocesanas de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, criadas por determinação do Papa Francisco, estão também a trabalhar na consolidação dos seus procedimentos para atender, de forma estruturada e consistente, à complexa e exigente realidade da proteção de crianças, jovens e pessoas vulneráveis.”

No seu 4.º Relatório de Atividades, apresentado esta tarde, o Grupo VITA apresentou um balanço do trabalho realizado desde 2023 e aponta caminhos para o futuro da proteção de menores e vulneráveis na Igreja Católica em Portugal.

Desde janeiro de 2021, a Igreja Católica em Portugal tem novas diretrizes para a “proteção de menores e adultos vulneráveis”, sublinhando uma atitude de vigilância nas várias atividades pastorais e de colaboração com as autoridades.

Durante o ano de 2022, a CEP pediu um estudo sobre casos de abuso sexual na Igreja em Portugal nos últimos 70 anos a uma Comissão Independente, que validou 512 testemunhos relativos a situações de abuso, que seria apresentado em fevereiro de 2023.

OC

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