Proposta pastoral convida a combater «atrofia» espiritual e «superficialidade»

Porto, 26 jan 2026 (Ecclesia) – A Diocese do Porto lançou uma proposta de caminhada para a Quaresma deste ano, que desafia as comunidades a viverem este tempo litúrgico como uma escola de reeducação dos cinco sentidos.
A iniciativa, desenvolvida pela Equipa de Apoio à Coordenação Pastoral, parte da constatação de que vivemos num tempo marcado pela “dispersão, aceleração e superficialidade”, onde a “atrofia dos sentidos” impede muitas vezes o encontro com Deus e com os irmãos.
“Educar os sentidos é aprender a escutar mais profundamente a Palavra, a reconhecer as sedes que nos habitam, a deixar-nos iluminar pela fé, a tocar a vida ferida com compaixão”, lê-se no documento divulgado pelo jornal diocesano ‘Voz Portucalense’.
O itinerário inspira-se no pensamento do cardeal e poeta português D. José Tolentino Mendonça e no rito batismal do ‘Effathá’ (Abre-te), propondo para cada domingo a ativação de um sentido específico, culminando na celebração da Páscoa.
| Roteiro Semanal: Do Jejum ao Perfume da Páscoa
I Domingo (Abertura do Coração): O foco está no jejum como forma de libertar o coração de “ruídos e imagens” excessivas. A diocese sugere jejuar não só de alimentos, mas também de telemóvel, de zapping constante e de gestos violentos, promovendo a partilha solidária. II Domingo (Abertura do Ouvido): Centrado na audição e na Transfiguração, o desafio é passar do simples “ouvir” à “escuta” atenta. Propõe-se reduzir o ruído, valorizar o silêncio na liturgia e em casa, e renunciar ao uso excessivo de auscultadores para estar disponível ao outro. III Domingo (Abertura do Paladar): Com o episódio da Samaritana, trabalha-se o gosto, distinguindo a sede física da sede de Deus. As comunidades são convidadas a valorizar a oração à mesa, a optar pela frugalidade e a partilhar refeições com quem está só. IV Domingo (Abertura da Visão): O domingo “Laetare”, da cura do cego, apela à purificação do olhar. A proposta inclui o jejum de ecrãs e da “obsessão pela cosmética”, incentivando a contemplação de ícones e o treino de um olhar compassivo sobre a realidade. V Domingo (Abertura do Tato): Focado na ressurreição de Lázaro, este passo sublinha a importância do toque e da proximidade com a fragilidade humana. Sugere-se a visita a doentes, o apoio a pessoas em luto e a redução das relações virtuais em favor do contacto presencial. Semana Santa (Abertura do Olfato): A caminhada termina com o olfato, o sentido da memória e da ressurreição, evocado pelo perfume de nardo e pelos aromas da liturgia pascal (incenso, óleos, flores), convidando os cristãos a serem o “bom odor de Cristo” no mundo. |
A Diocese do Porto convida todas as paróquias e movimentos a adaptarem estas sugestões com “liberdade e criatividade”, para que a Igreja diocesana possa caminhar como “um Porto peregrino, com o coração aberto e os sentidos despertos”.
A Quaresma, que se inicia a 18 de fevereiro, com a celebração de Cinzas, é um tempo litúrgico de 40 dias (a contagem exclui os domingos), marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência; serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão (5 de abril, em 2026).
OC
