Lisboa: Sé Patriarcal de «rosto lavado» projeta visitantes para o futuro, afirma D. Rui Valério

Apresentação do livro sobre a requalificação do monumento assinalou a conclusão das obras, fruto de uma parceria  Igreja-Estado

Foto: Arlindo Homem

Lisboa, 26 jan 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, considera que quando se entra na Sé da capital portuguesa, com uma cara renovada, os visitantes são “projetados e enviados para o futuro”.

“É impossível nós entrarmos nesta Sé patriarcal, contactarmos com estas paredes renovadas, de rosto lavado e de rosto jovem, e não nos sentirmos não só transportados para o passado, mas, verdadeiramente, sentirmo-nos como projetados e enviados para o futuro”, disse D. Rui Valério à Agência ECCLESIA.

No lançamento da obra ‘Renascer da Sé Patriarcal de Lisboa’, da autoria de Adalberto Dias, o patriarca de Lisboa realçou que para a “providência de Deus não há casualidades, nem há epifenómenos”, mas aquilo que se constata “é que esta reabertura e reinauguração, esta reconfiguração do rosto da Sé patriarcal, situa-se realmente como um dos muitos e bons frutos da esperança”.

O responsável destacou que, no templo, existe um “convívio e aliança entre Portugal, Igreja, fé, cultura e história”.

Para além de ser um monumento que “remete para o futuro, exatamente a partir desse contacto com o passado, com a história e com a memória”, a Sé de Lisboa convida para “a missão e ir ao encontro dos outros”, sublinhou D. Rui Valério.

O responsável recorda que, quando Bento XVI esteve em Lisboa, em 201o, evocou a história e, sobretudo, “os dados da Sé patriarcal para falar da epopeia missionária dos portugueses pelo mundo além”.

A requalificação da Sé de Lisboa é fruto de uma parceria entre a Igreja e o poder político.

“Sincronizaram-se essas vontades, sincronizaram-se essas disponibilidades e sincronizaram-se também esse desejo de fazer da Sé Patriarcal de Lisboa um lugar de revisitação da nossa história, mas ao mesmo tempo onde os nossos concidadãos e os estrangeiros que nos visitem encontrem um país com um passado, com uma história, com uma memória, mas um país que quer futuro, que quer criar futuro, que quer ser construtor de futuro”, referiu.

O cónego Francisco Tito, deão do Cabido da Sé de Lisboa, realçou que o lançamento do livro ‘Renascer da Sé Patriarcal’ mostra que a “obra está concluída” e “isso é motivo de alegria”.

O responsável recordou a génese deste processo, que teve início em 1990, quando a queda de um cedro, no claustro, deixou a descoberto vestígios que motivaram o arranque das escavações.

Desde então, a obra avançou fruto de uma “esperança que não cruzou os braços”, aguardando-se agora a organização do espaço museológico para a abertura plena, neste que é um “grande polo de interesse para os visitantes”.

As pedras são de “épocas diversas “e representam “culturas em momentos diferentes” e agora aguarda-se “com muita expectativa de poder abrir aos visitantes este espaço, e que as pedras possam introduzir na compreensão desta igreja que é um monumento”, acrescentou.

“É um dos monumentos mais visitados na cidade de Lisboa, pela sua beleza arquitetónica, pela sua antiguidade e também pelo significado que ele tem no que respeita à cultura e à cultura religiosa cristã, à fé religiosa”, finalizou o cónego Francisco Tito.

A apresentação da obra esteve a cargo do professor Mário Varela Gomes e do arquiteto Jorge Figueira.

A iniciativa, que aconteceu no Claustro da Sé Patriarcal de Lisboa, foi promovida pelo Cabido da Sé Patriarcal de Lisboa, pelo Instituto do Património IP, pela Ferrovial e pela editora Caleidoscópio.

LFS/OC

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