Conferência Episcopal da região manifesta «profunda preocupação» com o uso da força em nações soberanas

Lisboa, 23 jan 2026 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal das Antilhas (AEC) manifestou “profunda preocupação” com a situação na Venezuela, após captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos da América, apelando à “mediação internacional” e ao respeito pelo direito humanitário.
“Tais ações correm o risco de criar precedentes perigosos e aprofundar uma espiral de medo e confronto”, alertam os bispos das Caraíbas, numa declaração pastoral divulgada esta quinta-feira.
O documento à “captura e transferência” do presidente venezuelano e da sua esposa, Cilia Flores, a 3 de janeiro, sublinhando a “incerteza” que agora envolve a governação e a ordem constitucional do país sul-americano.
Os responsáveis católicos defendem que a legalidade destes atos deve ser julgada pelas autoridades competentes, mas insistem nas exigências do Evangelho e da lei moral: “respeito pela dignidade humana, pelo devido processo legal e pelo direito internacional humanitário”.
A mensagem cita os alertas do Papa Leão XIV à comunidade diplomática, recordando que “nenhuma crise, por mais grave que seja, pode justificar o abandono desses fundamentos” e que “a paz nunca pode ser construída sobre a erosão da lei”.
A AEC mostra-se inquieta com as implicações do uso da força dentro do “território de uma nação soberana” e com a instabilidade na região, referindo “apreensões contínuas de embarcações e perturbações da vida quotidiana”.
“Quando a força substitui o diálogo e o poder substitui a diplomacia paciente, a própria comunidade internacional fica enfraquecida”, sustentam os prelados.
Na declaração, os bispos colocam o foco nas consequências para a população civil, especialmente “os pobres, os vulneráveis, os migrantes, os pescadores e as famílias”, pedindo que o bem do povo venezuelano permaneça primordial.
“Os seus gritos não devem ser abafados pelo ruído da geopolítica”, apela a Conferência Episcopal.
O texto termina com um pedido de “contenção e desaceleração”, solicitando a intervenção das Nações Unidas e um compromisso renovado com soluções pacíficas, para que as Caraíbas não percam a sua vocação de ser um “espaço pacífico”.
“Acreditamos que a justiça não pode ser construída apenas com a força, e que a paz duradoura nasce do diálogo, da paciência, da verdade e do respeito pela dignidade humana”, concluem.
OC
