Ecumenismo: Bispo da Igreja Lusitana defendeu a «dignidade humana», na homilia que fez «com muita alegria» na catedral do Porto

D. Jorge Pina Cabral pediu «valorização dos jovens, promoção da mulher» e «defesa» das vítimas de violência doméstica

Foto: Miguel Mesquita/Diocese do Porto

Porto, 22 jan 2026 (Ecclesia) – O bispo da Igreja Lusitana – Comunhão Anglicana apelou à “defesa da dignidade humana” na homilia que fez na catedral da Diocese do Porto durante a celebração ecuménica, no contexto da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2026.

“No atual contexto da sociedade portuguesa na qual as nossas Igrejas se inserem e da qual fazem parte, assume particular importância a defesa da dignidade humana e a proteção dos migrantes, a promoção da liberdade de expressão”, disse D. Jorge Pina Cabral, esta quarta-feira, dia 21, citado pelo jornal Voz Portucalense, da Diocese do Porto.

O bispo da Igreja Lusitana – Comunhão Anglicana defendeu a “recursa de discursos de ódio e o evitar da polarização”, a valorização do papel dos jovens e a sua integração na sociedade, “a promoção da mulher e a defesa das vítimas de violência doméstica”.

“O cuidado pela Criação de Deus e a reflorestação das áreas ardidas e a promoção do diálogo inter-religioso enquanto fator de integração das minorias religiosas no nosso país”, identificou D. Jorge Pina Cabral.

O bispo, que é o presidente do Conselho Português de Igrejas Cristãs (COPIC), explicou, na celebração que reuniu várias Igrejas Cristãs, que tinham a responsabilidade, “enquanto cristãos, homens e mulheres”, que receberam “a Luz de Cristo, aquando do batismo comum”, de assumirem “a chama divina” e “iluminar o mundo com esta luz”.

“Assumirmos a luz que está em nós, o nosso batismo, para providenciarmos esperança e sentido à vida de outros”, acrescentou D. Jorge Pina Cabral, após explicar que Cristo “é enviado ao mundo com a missão de fazer brilhar a Luz de Deus neste mundo conturbado”, e levá-los a uma comunhão amorosa, “uns com os outros e todos com Deus”.

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e o COPIC apresentaram publicamente a ‘Carta Ecuménica 2025’ (‘Charta Oecumenica’), na terça-feira, na Universidade Católica Portuguesa (UCP), em Lisboa.

Na homilia, D. Jorge Pina Cabral afirmou que a ‘Carta Ecuménica’ chama-os “a trabalhar em prol de uma sociedade humana e socialmente consciente”, na qual prevaleçam os direitos humanos e os valores fundamentais “da paz, da justiça, da liberdade, da tolerância, da participação e da solidariedade”.

“E chama-nos também a desenvolver uma nova cultura de intervenção por parte das Igrejas e dos cristãos, chamados a intervir publica e profeticamente, nas questões que tocam diretamente a vida das pessoas e dos povos e a aliar ao discurso, um agir consequente sustentado nos valores do Evangelho de Jesus Cristo”, acrescentou o presidente do Conselho Português de Igrejas Cristãs.

Foto: Miguel Mesquita/Diocese do Porto

A ‘Charta Oecumenica 2025’ para a Europa foi assinada em Roma (Itália) a 5 de novembro de 2025 pela Conferência das Igrejas Europeias (CEC) e o Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE); o documento orientador da cooperação ecuménica entre as Igrejas cristãs europeias ganhou nova redação por ocasião do 1700.º aniversário do primeiro concílio ecuménico da história, em Niceia (325), atual Turquia, celebrado em  2025.

Esta celebração na catedral do Porto, no âmbito da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, foi organizada pela Comissão Ecuménica do Porto, que é constituída pela Igreja Católica, Igreja Lusitana de Comunhão Anglicana, Igreja Anglicana, Igreja Metodista, Igreja Evangélica Luterana Alemã do Porto, Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Moscovo e Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Constantinopla.

O bispo da Igreja Lusitana – Comunhão Anglicana começou a sua reflexão a afirmar que era “com muita alegria” que fazia a “homilia na Sé Catedral do Porto”, informa o jornal diocesano ‘Voz Portucalense.

CB/PR

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que decorre no hemisfério norte de 18 a 25 de janeiro, tem este ano como tema ‘Há um só corpo e um só Espírito’, inspirado na Carta aos Efésios.

Os materiais de oração e reflexão foram preparados por um grupo ecuménico coordenado pelo Departamento para as Relações Inter-religiosas da Igreja Apostólica Arménia.

O ‘oitavário pela unidade da Igreja’ começou a ser celebrado em 1908, por iniciativa do norte-americano Paul Wattson, presbítero anglicano que mais tarde se converteu ao catolicismo.

O ecumenismo é o conjunto de iniciativas e atividades tendentes a favorecer o regresso à unidade dos cristãos, quebrada no passado por cismas e ruturas.

As principais divisões entre as Igrejas cristãs ocorreram no século V, depois dos Concílios de Éfeso e de Calcedónia (Igreja Copta, do Egito, entre outras); no século XI com a cisão entre o Ocidente e o Oriente (Igrejas Ortodoxas); no século XVI, com a Reforma Protestante e, posteriormente, a separação da Igreja de Inglaterra (Anglicana).

Portugal já preparou também o material para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos que foi vivida com o tema ‘Eis que estou à porta e bato’ (Apocalipse 3, 14-22), em 1996, e o encontro preparatório realizou-se em Lisboa.

 

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